Carlo, 20 de julho


pela manhã em minha porta sobre o carpete de entrada no caderno Mundo do jornal – o dia trágico e nublado de Carlo – o manifestante nascido em 1978 o carabineiro nascido em 1980 não deveriam se encontrar em dois disparos e no corpo- imagem caído à minha porta pela manhã do dia seguinte a 20 de julho ano 26 do assassinato de Pasolini naquela sexta-feira de verão Carlo deveria ter ido à praia não estivesse o dia nublado não estivessem oito dirigentes do mundo em Gênova e é ainda preciso responder à sombra daquela manhã projetada no carpete de entrada em minha porta por um policial armado um manifestante desarmado reunidos na imagem intolerável – esta – do filho do sindicalista Giuliano Giuliani que assim não leria o poema inaugural do século vinte e um não veria os que saltaram das torres em chamas poucos meses depois daquele 20 de julho nublado serem fisgados pela poesia de Wislawa Symborska e continuarem ainda agora suspensos salvos por instantes nos domínios da palavra da imagem e do ar na esfera de lugares que acabam de se abrir

imagem 1 21 de julho de 2001 [2015] impressão jato de tinta montada sobre PVC e fitas adesivas com resíduos de jornal 25 x 40 cm imagem 2 Carlo Giuliano [2006] serigrafia, óleo de linhaça e intervençào manual sobre papel hahnemühle 20 x 30 cm imagem 3 Série Diários públicos/ para Carlo [2001] carimbo sobre jornal apagado 54 x 32 cm

Publicado em Concinnitas, Revista do Instituto de Artes da UERJ, v. 2, n. 29 (17), junho de 2017.

#memória #violência #poesia

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