A série surgiu do encontro com recortes que minha avó Martha, professora primária, guardava em pastas intituladas genericamente “Dia da Pátria”, “Proclamação da República”, “Índios” ou “Flores e frutos”, entre outros. Na exposição Ao sul do futuro (Museu Lasar Segall, São Paulo, 2018) apresentei alguns trabalhos realizados diretamente com esse material, que Martha chamava singelamente de “gravuras para pesquisa escolar”. Em certo momento, comecei a pensar nas pastas que faltavam, nas imagens ausentes e decidi buscá-las e produzi-las. Como num jogo de encaixes em que há sempre peças extraviadas, inscrevo nessa Pesquisa escolar camadas da brutalidade extrema, mas também das esperanças que nos constituem em nível familiar, comunitário, geracional, nacional e também planetário. A figura da professora se inscreve em algumas imagens a partir de um conjunto de carimbos feitos com o álbum de formatura de minha mãe, também professora. E inscrevo a mim mesma, aquela que fui, aluna de uma escola pública no Rio de Janeiro nos anos da ditadura civil-militar brasileira. (L. Danziger, fev. 2021)

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