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A esperança é eterna [Hope Springs Eternal] 2018 | vídeo (4’, color, sound)

No início de 2018, em conversa casual com um amigo, soube que seu pai, o cineasta Marcos Margulies (Lodz, 1923 – Rio de Janeiro, 1982) havia feito o curta-metragem "A esperança é eterna" sobre a obra de Lasar Segall. Ao procurar informações sobre o filme, descubro que ele havia sido apresentado no Festival de Cannes, em 1956. Em busca na internet, é possível encontrar menção à obra no acervo na Cinemateca Brasileira, mas sua presença efetiva não pode ser confirmada. Ao longo da procura pelo filme, recebemos por fim a informação de que ele teria desaparecido em um dos incêndios da Cinemateca Brasileira. Pouco tempo depois de termos essa informação, um incêndio destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, catástrofe internacional, que integra e culmina, com assombro inimaginável, uma série de incêndios de instituições brasileiras, que incluem o MAM Rio (1978) e o Museu da Língua Portuguesa (2015). Na busca pelo filme, encontramos uma entrevista com o diretor Marcos Margulies, em que o autor conta um pouco sobre seu filme e sua convivência com Segall. Sua voz de emigrante polonês que sobreviveu à extinção das comunidades judaicas do Leste Europeu  dialoga aqui com outra voz, febrilmente modulada pelas urgências do presente.
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When chatting casually with a friend at the start of 2018, I learned that his father, Marcos Margulies, (Lodz, 1923 – Rio de Janeiro, 1982) had made a short feature on the works of Lasar Segall, entitled Hope Springs Eternal (A esperança é eterna). Seeking more information, I discovered that it had been shown at the 1956 Cannes Film Festival. Hunting through the Internet, I found this work listed in the permanent collection of the Cinemateca Brasileira film library, but was unable to confirm its effective existence. In the course of my search for this film, I discovered that it vanished in one of the fires at this institution. Shortly after receiving this information, flames destroyed the National Museum in Rio de Janeiro in an international catastrophe that is yet another disaster in the lengthy list of conflagrations that have swept through so many Brazilian institutions, particularly the Museum of Modern Art in Rio de Janeiro (1978) and the Museum of the Portuguese Language (2015). The search for this film included an interview with its director, Marcos Margulies, during which he talked about his movie and his time with Segall. His voice of a Polish refugee who survived the extermination of Jewish communities in Eastern Europe engages here in a dialog with different vociferations, feverishly modulated by the clashing demands that are cleaving Brazil.