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Mares poderão subir por mais mil anos.

 

A frase-título da exposição foi encontrada no caderno de ciências da Folha de São Paulo em 26 de janeiro de 2007 e emerge da massa de esquecimento em que se dissiparam aqueles dias, marcados como agora pela expectativa do ano que se inicia. Mais do que uma reconfiguração ameaçadora entre a terra e os mares, sua vertigem se deve à associação entre um espaço ainda indomável – os mares – e um tempo para além da escala humana; sugere assim resistência à temporalidade instantânea dos jornais, e é a tentativa de propor a experiência de um tempo mais lento e resistente o que me interessa há vários anos.

 

Meu trabalho consiste em fazer corpo com palavras e imagens (apagá-las,  arranhá-las, feri-las), para que assim ressurjam qualificadas pelo momento presente, marcadas pela travessia de perigos (experiência própria a tudo o que é vivo). Reúno aqui imagens-rumores, imagens-ruídos. Na menção à subida dos mares ecoa nossa imersão no tempo e a necessidade de nos entregarmos aos fluxos submersos, ao exercício dos gestos (vãos?) desenvolvidos contra a resistência das águas e a vertigem do tempo. A silhueta anacrônica de um escafandrista circula agora no espaço expositivo.

 

[Agradeço à Gabriela Capper, pela parceria em Stela e o mar.]

 

Leila Danziger

Janeiro, 2014