<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>leiladanziger</title><description>leiladanziger</description><link>https://www.leiladanziger.net/blog</link><item><title>Cadernos Sesc de Cidadania | Direito à memória | 2019</title><description><![CDATA[<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_765eff534ce44dff83b462256f9fcc84%7Emv2_d_3795_2954_s_4_2.jpeg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/08/05/Cadernos-Sesc-de-Cidadania-Direito-%C3%A0-mem%C3%B3ria-2019</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/08/05/Cadernos-Sesc-de-Cidadania-Direito-%C3%A0-mem%C3%B3ria-2019</guid><pubDate>Mon, 05 Aug 2019 21:27:31 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_765eff534ce44dff83b462256f9fcc84~mv2_d_3795_2954_s_4_2.jpeg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_af664b55c0a3417799f2762e21aa3f46~mv2_d_3922_2964_s_4_2.jpeg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_67515bfe9ff942cb8dd9be68e85cfe3f~mv2_d_3946_2966_s_4_2.jpeg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_885c6dbbda424b608fea8d0d40af49a3~mv2_d_3789_2798_s_4_2.jpeg"/></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Mostras criam paralelos entre navios negreiros e refugiados do Holocausto</title><description><![CDATA[Silas Martí | Folha de São Paulo"No porão do navio, negros algemados uns aos outros rodeiam a comoção. Um deles, só pele e osso, desmaia nos braços de uma mulher branca à luz da lanterna de um capataz. Outro negro estende as mãos em busca de um pote de água passado pelo alçapão do convés, como num gesto de socorro. Johann Moritz Rugendas, o alemão que imaginou essa e outras cenas de uma terra exótica nos desenhos de seu livro “Voyage Pittoresque dans le Brésil”, ficou impressionado com a luz dos<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4b92fd26e9594571835cd30bb5add6e8%7Emv2_d_1582_1827_s_2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_758/22d7b6_4b92fd26e9594571835cd30bb5add6e8%7Emv2_d_1582_1827_s_2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Silas Marti | Folha de São Paulo</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/31/Mostras-criam-paralelos-entre-navios-negreiros-e-refugiados-do-Holocausto</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/31/Mostras-criam-paralelos-entre-navios-negreiros-e-refugiados-do-Holocausto</guid><pubDate>Fri, 01 Feb 2019 00:20:56 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4b92fd26e9594571835cd30bb5add6e8~mv2_d_1582_1827_s_2.jpg"/><div>Silas Martí | Folha de São Paulo</div><div>&quot;No porão do navio, negros algemados uns aos outros rodeiam a comoção. Um deles, só pele e osso, desmaia nos braços de uma mulher branca à luz da lanterna de um capataz. Outro negro estende as mãos em busca de um pote de água passado pelo alçapão do convés, como num gesto de socorro. </div><div>Johann Moritz Rugendas, o alemão que imaginou essa e outras cenas de uma terra exótica nos desenhos de seu livro “Voyage Pittoresque dans le Brésil”, ficou impressionado com a luz dos trópicos e sua incidência sobre a pele negra —de escravos açoitados, rendidos à dor e à exaustão agravadas pelo calor inclemente.</div><div>Sua passagem pelo Brasil no início do século 19, no rastro dos primeiros registros neoclássicos da colônia construídos por Debret, rendeu imagens dramáticas da vida nesse mundo novo e selvagem.</div><div>Baías coalhadas de barcos a vela, tempestades no mar, rituais indígenas, plantas estranhas e extensos panoramas criados por ele agora abarrotam as paredes de uma mostra no piso térreo da Caixa Cultural, mas são as imagens dos negros, entre os flagelados em praça pública ou acorrentados por capitães do mato, que têm maior ressonância.</div><div>“Ele está diante de outra realidade, outra luz. A pele negra, a opressão do branco, as lutas e as danças acendem nele um traço romântico que ele já tinha na Alemanha”, diz Angela Ancora da Luz, que organiza a exposição. “É uma realidade contada com uma liberdade artística, porque é lógico que Rugendas não vê um navio negreiro, mas vê navios.”</div><div>E também o mar ao redor deles. Duas marinhas lado a lado na mostra, aliás, atestam a evolução de seus traços, de um rigor acadêmico seguido à risca, com ondas claras retratadas sob um horizonte firme e equilibrado, à visão de um mar revolto debaixo de um céu de nuvens espessas.</div><div>Rugendas parece desenhar ali o caos que ameaça os homens e mulheres confinados em seu “Negros no Fundo do Porão”, desenho de 1835. Sequestrados para a escravidão, eles se rendem ao desespero —uns, aos prantos, levam as mãos ao rosto, enquanto outros se encolhem acuados contra as paredes do barco.</div><div>Mesmo que romantizada, tomando emprestadas algumas estratégias de composição então em voga entre os abolicionistas na representação da escravidão, a cena criada por ele não esconde o horror de verdade daquela época.</div><div>Não fica muito claro, aliás, se havia inclinações políticas por trás de seus retratos de escravos. Rugendas, cindido entre os excessos do romantismo alemão, o academicismo dos franceses vivendo no Brasil e os primeiros lampejos de um realismo vindouro, foi um artista ambíguo nesse sentido.</div><div>Mas o olhar de seus escravos, entre o espanto diante da barbárie e a letargia resignada, ainda emociona. Da mesma forma que os rostos fotografados em outra exposição no mesmo espaço cultural do centro paulistano.</div><div>No segundo andar, Leila Danziger mostra o horror um século depois de Rugendas. Descendente de judeus alemães que escaparam do Holocausto, a artista contemporânea resgatou imagens dos navios que atravessaram o Atlântico carregados de judeus fugindo da violência dos nazistas.</div><div>Eles, todos brancos, encaram a câmera como quem disseca um abismo. Qualquer promessa de paz e  felicidade nas Américas tinha ainda um oceano infinito como obstáculo, toda uma jornada encarada a contragosto por gente forçada a deixar a vida inteira para trás.</div><div>Na instalação de Danziger, essas fotografias surgem lado a lado com os cantos dobrados, como se ela quisesse marcar a página de um livro com histórias parecidas tanto antes quanto depois.</div><div>Isso porque se existe um paralelo visual com o tráfico negreiro, em especial pelo volume de homens e mulheres espremidos nas embarcações, Danziger aponta ela mesma outro eco dolorido daquele momento histórico na atualidade, lembrando a morte de refugiados durante a travessia do Mediterrâneo rumo à Europa de portos cada vez mais fechados.</div><div>Ela lembra, aliás, o naufrágio recente de um barco de migrantes, que compara ao destino trágico do Struma, um navio com quase 800 judeus romenos a bordo bombardeado por um submarino no auge da Segunda Guerra.</div><div>“Era um escombro que não encontrava porto e todas essas pessoas morreram”, conta Danziger. “Tive vontade de fazer esses trabalhos porque isso não parou de acontecer. É recorrente nesta segunda década do século 21, com navios afundando no Mediterrâneo.”</div><div>Em paralelo às imagens históricas de sua exposição, a artista mostra alguns vídeos de resgates de refugiados de agora em alto mar, mas editou as imagens dos telejornais para mostrar só os momentos de salvamento, nunca os flagras de corpos sem vida, esboçando à força uma ideia de esperança em meio ao maremoto.&quot;</div><div>Johann Moritz Rugendas e Leila Danziger</div><div>Quando Ter. a dom., 9h às 19h. Até 31/3Onde Caixa Cultural - pça. da Sé, 111, São Paulo, tel. (11) 3321-4400.Preço GrátisClassificação Livre</div><div><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/01/exposicoes-criam-paralelos-entre-navios-negreiros-e-refugiados-do-holocausto.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/01/exposicoes-criam-paralelos-entre-navios-negreiros-e-refugiados-do-holocausto.shtml</a> --</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Oz na Cinelândia - Escamandro</title><description><![CDATA[https://escamandro.wordpress.com/2019/01/15/1-poema-inedito-de-leila-danziger/<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d4942cb2c3fc447093883d0376c5206c%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/17/Oz-na-Cinel%C3%A2ndia---Escamandro</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/17/Oz-na-Cinel%C3%A2ndia---Escamandro</guid><pubDate>Thu, 17 Jan 2019 03:59:54 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div><a href="https://escamandro.wordpress.com/2019/01/15/1-poema-inedito-de-leila-danziger/">https://escamandro.wordpress.com/2019/01/15/1-poema-inedito-de-leila-danziger/</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d4942cb2c3fc447093883d0376c5206c~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_a3955cff996a4009971a696da6d62937~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e22628ac1eef42a09fac0b681c81cd6d~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_910d00cc7c5b457bbbd0ee6f0fe8fb0b~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_432870b0d3884b2f91124a46fc53753e~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Navio de emigrantes | Caixa Cultural São Paulo | 15 jan - 31 mar</title><description><![CDATA[Com mastros cantados, apontados para a terraseguem os destroços celestes.Nesta canção de madeiracravas os dentes com forçaTu es a flâmulasólida de canto.Paul Celan(traduzido do alemão por Raquel Abi-Sâmara)_______With masts sung earthwardsthe sky-wrecks drive.Onto this woodsongyou hold fast with your teeth.You are the songfastpennant.Paul Celan(translated from the German by Pierre Joris)<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_353688c6dac24df0be929f60cd85c9f4%7Emv2_d_1667_1250_s_2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_492/22d7b6_353688c6dac24df0be929f60cd85c9f4%7Emv2_d_1667_1250_s_2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/08/Navio-de-emigrantes-Caixa-Cultural-S%C3%A3o-Paulo-15-jan---31-mar</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2019/01/08/Navio-de-emigrantes-Caixa-Cultural-S%C3%A3o-Paulo-15-jan---31-mar</guid><pubDate>Tue, 08 Jan 2019 16:51:45 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_353688c6dac24df0be929f60cd85c9f4~mv2_d_1667_1250_s_2.jpg"/><div>Com mastros cantados, apontados para a terra</div><div>seguem os destroços celestes.</div><div>Nesta canção de madeira</div><div>cravas os dentes com força</div><div>Tu es a flâmula</div><div>sólida de canto.</div><div>Paul Celan</div><div>(traduzido do alemão por Raquel Abi-Sâmara)</div><div>_______</div><div>With masts sung earthwards</div><div>the sky-wrecks drive.</div><div>Onto this woodsong</div><div>you hold fast with your teeth.</div><div>You are the songfast</div><div>pennant.</div><div>Paul Celan</div><div>(translated from the German by Pierre Joris)</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>SEGUEM OS DESTROÇOS CELESTES | texto Leila Danziger</title><description><![CDATA[SEGUEM OS DESTROÇOS CELESTES Com mastros cantados, apontados para a terraseguem os destroços celestes.Nesta canção de madeiracravas os dentes com forçaTu es a flâmulasólida de canto.Paul Celan(tradução Raquel Abi-Sâmara)Suas lembranças da travessia se concentravam em um único gesto: buscar debaixo de pilhas de livros e papéis um pequeno atlas — Deutschland und die Welt [A Alemanha e o mundo] —, que ele contava ter consultado ao longo da viagem que o trouxe com os pais ao Brasil. Nenhuma]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/19/SEGUEM-OS-DESTRO%C3%87OS-CELESTES</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/19/SEGUEM-OS-DESTRO%C3%87OS-CELESTES</guid><pubDate>Mon, 19 Nov 2018 16:17:45 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>SEGUEM OS DESTROÇOS CELESTES </div><div>Com mastros cantados, apontados para a terra</div><div>seguem os destroços celestes.</div><div>Nesta canção de madeira</div><div>cravas os dentes com força</div><div>Tu es a flâmula</div><div>sólida de canto.</div><div>Paul Celan</div><div>(tradução Raquel Abi-Sâmara)</div><div>Suas lembranças da travessia se concentravam em um único gesto: buscar debaixo de pilhas de livros e papéis um pequeno atlas — Deutschland und die Welt [A Alemanha e o mundo] —, que ele contava ter consultado ao longo da viagem que o trouxe com os pais ao Brasil. Nenhuma lembrança do percurso, a não ser o manuseio daquele livro. Entre suas páginas, num pequeno formulário de cor indefinida da Companhia de Navegação Chargeurs Réunis, lê-se o nome do navio Aurigny, que os transportou de Hamburgo ao Rio de Janeiro, passando por Antuérpia, Le Havre, La Coruña e Casablanca. Em 24 de dezembro, o navio atracou depois de vinte e cinco dias no mar. Para trás, uma nação a qual acreditaram pertencer, a Alemanha, criminosamente remodelada pelas leis raciais de Nuremberg, que mutilavam o conceito de cidadania, tornando-o restritivo e excludente em todo o Reich. O envelope 708, da Relação de Vapores número 378, que contém os documentos do navio Aurigny, documenta o desembarque de 42 passageiros — 32 imigrantes judeus —, entre eles Alfred (49 anos), Irene (37) e Rolf (14), meus avós e meu pai. O navio Aurigny, em sua dimensão quase messiânica, passou a integrar o mito de origem familiar — a chegada à terra redentora, como meu pai se referia ao Brasil.</div><div>Este projeto teve como senha, além do navio Aurigny, alguns outros nomes próprios. Em contato com familiares e amigos, surgiram o Almanzora (26/12/1938, com Erich, Klara e Helga Abraham — tios-avós); o General Artigas (17/08/1939, com Hilde, Martin e Edith Seligmann — a partir de Márcio Seligmann-Silva); o Conte Grande (04/04/1939, com Franca Cohen Gottlieb — a partir de Raul Gottlieb).</div><div>Ao lidar com esses documentos, pesquisados no Arquivo Nacional, desejei simplesmente abri-los, interrogar suas lacunas e espaçamentos, misturar as diferentes listas, lançá-las novamente no presente, numa grande arca de nomes e destinos, que quer abarcar não apenas os que aqui encontraram um porto, mas aqueles, muito mais numerosos, que o buscaram inutilmente. Compreendo as listas em si mesmas como embarcações, “pedaços de espaço flutuantes”, como Foucault define os navios, heterotopias máximas, que abrigam os nomes dos passageiros e suas respectivas informações — idade, sexo, religião, profissão (inventadas, em sua maioria), estado civil, porto de procedência, último endereço no país de origem, e destino.</div><div>Em clara homenagem a Lasar Segall, o título deste projeto faz referência a uma de sua pinturas mais célebres, realizada em 1939/41, quando navios lotados de refugiados se lançavam nos mares. Mas na tela de Segall, a embarcação não parece orientar-se a terra, ao porto, mas ao céu, como observou com precisão Paulo Sérgio Duarte: “o plano em que a imagem se realiza, ascende, se eleva [...]”. A embarcação “paradoxalmente, navega para cima, como se independentemente das tempestades, passadas ou futuras, sua direção se perdesse no infinito, não apontando para nenhum porto.” (1) E sabemos bem que portos inalcançáveis fazem surgir “covas nos ares”, na inscrição poderosa da poesia de Paul Celan, aquela que para Theodor Adorno responde de modo legítimo — ou seja, na infinita discrição — ao horror extremo.</div><div>Mas no início dos anos 2010, enquanto fazia o levantamento das listas de passageiros no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, o Mar Mediterrâneo se encheu de embarcações desesperadas e precárias. Lampedusa, Lesbos, Kalymnos, Sète são alguns pontos numa rota de fuga e de morte, que está longe de ter sido apaziguada. A série Mediterrâneo é feita de arquivos encontrados na internet, vídeos que parecem quase tocar o real, jogados na rede como uma garrafa ao mar, embora sempre sob a perspectiva do salvamento. Ao lidar com o fluxo de visualidade que me chega pelos meios de comunicação, pergunto-me o que fazer para que a textura da imagem contenha de alguma forma o desastre? Trabalho com informações retiradas de sites de notícias, mas também de bases de dados criadas para tentar dar conta desse fluxo migratório ininterrupto, em que inexistem identificações dos refugiados, mas apenas nomes de praias e portos, coordenadas geográficas, números e descrições aproximadas de corpos. Essas informações acrescentam uma nova e terrível camada de sentido à história do Mediterrâneo, a qual se dedicou o historiador Fernand Braudel: &quot;O conjunto do Mediterrâneo é esse espaço-movimento. Aquilo que o aborda, guerras, sombras de guerras, modas técnicas, epidemias, materiais leves ou pesados, preciosos ou toscos, tudo é metabolizado pelo fluxo de sua corrente sanguínea e levado para bem longe, aqui ou ali esse fluxo se interrompe, sedimenta-se para mais tarde ser de novo arrastado, perenemente propagado ou até mesmo, quando fora de seus limites, rejeitado.&quot; (2)</div><div>Procurei integrar a grande literatura sobre o Mar Mediterrâneo às novas narrativas produzidas pelos hiperlinks que arquivam esses acontecimentos. Qual a imagem da informação, esse condensado de visualidade e discurso que crepita sem parar em nossos smartphones e monitores? Creio que em minha tentativa de produzir imagens, lido sempre com a ruína, a ruína da informação, que envelhece tão logo deixa de ser novidade. Os jornais e as mídias produzem ruínas instantâneas, como percebeu tão bem Jorge Luís Borges, ao chamar os jornais de “museus de minúcias efêmeras”. E gosto da sugestão de Peter Geimer, de que seria necessário escrever uma história do autoiconoclasmo da imagem como meio — a história da autodestruição das imagens. Constato que meu desejo de imagem é carregado sempre por esse desejo de apagamento, de ruína, de destruição da imagem — só há imagem em perigo. Ou, falando com as palavras de Celan: imagem — essa “canção de madeira”, à qual, como náufragos, nos apegamos com força.</div><div>Leila Danziger</div><div>____</div><div>1 Duarte, Paulo Sergio. Sua vida inclui a tristeza, mesmo nos momentos mais felizes. In: A gravura de Lasar Segall. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1987.</div><div>2 Braudel, Fernand. O Mediterrâneo e o Mar Mediterrâneo na Época de Felipe II, vol. I. São Paulo, 2016, p. 377.</div><div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_1bfbfb49f0fd4a62b97f151650ffdc81~mv2_d_9449_11831_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_22a9553ad6c7405f85e0477018530e30~mv2_d_4318_3171_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_846a9f44836c46e79aae3eb223eba848~mv2_d_1772_1205_s_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e97e21e0487443a6b76c2249f76f4c07~mv2_d_1772_1321_s_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7ef073e353a34cea8969998741c2033a~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_afae5c79b77e4ef9a232588bcb5ac227~mv2_d_2000_1333_s_2.jpg"/></div><div>navio de emigrantes - caixa cultural Brasília 30 out - 23 dez 2018</div><div>english</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>ATLÂNTICO E MEDITERRÂNEO | texto Raphael Fonseca | Navio de emigrantes | Caixa Cultural Brasília</title><description><![CDATA[O Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo são os dois corpos de água nos quais as recentes pesquisas de Leila Danziger estão baseadas. O interesse da artista por esses ambientes poéticos e trágicos está declarado no título escolhido para esta exposição: “Navio de emigrantes”.Trata-se de uma citação a uma das mais importantes obras da arte moderna no Brasil (pintada entre 1939 e 1941) de autoria do artista lituano-brasileiro Lasar Segall (1891–1957). Imigrante judeu que se muda definitivamente para<img src="https://i.vimeocdn.com/video/739688704_640.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/05/Navio-de-emigrantes-abertura-Caixa-Cultural-Bras%C3%ADlia</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/05/Navio-de-emigrantes-abertura-Caixa-Cultural-Bras%C3%ADlia</guid><pubDate>Sat, 17 Nov 2018 14:11:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><iframe src="https://player.vimeo.com/video/301102499"/><div>O Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo são os dois corpos de água nos quais as recentes pesquisas de Leila Danziger estão baseadas. O interesse da artista por esses ambientes poéticos e trágicos está declarado no título escolhido para esta exposição: “Navio de emigrantes”.</div><div>Trata-se de uma citação a uma das mais importantes obras da arte moderna no Brasil (pintada entre 1939 e 1941) de autoria do artista lituano-brasileiro Lasar Segall (1891–1957). Imigrante judeu que se muda definitivamente para São Paulo em 1923, Segall é um artista que vivenciou e criou imagens da diáspora; desde cenas de emigrantes cansados em navios com rumo desconhecido até as representações de comunidades vistas até então como marginais na sociedade brasileira — como os afro-brasileiros e os judeus. Os corpos em seus desenhos, gravuras e pinturas tendem a se apresentar ensimesmados, melancólicos e inertes; parecem sentir o peso dos deslocamentos, do tempo, das saudades e do preconceito.</div><div>Um dos eixos da exposição dialoga frontalmente com a produção de Lasar Segall. Não apenas devido à incorporação de nove de suas gravuras que fazem parte de uma série maior que se relaciona com sua pintura sobre os navios de emigrantes, mas também devido à vasta pesquisa realizada pela artista no Arquivo Nacional acerca de documentos sobre embarcações que cruzavam o Atlântico e faziam trajetos entre a Europa e o Brasil. Advinda de uma família de judeus alemães que teve de emigrar em razão do crescente nazismo, a narrativa autobiográfica da artista se cruza com a biografia de Segall.</div><div>Parte dos trabalhos fotográficos aqui mostrados baseia-se nas listas de passageiros desses navios. A artista explora tanto a fragmentação de nomes próprios em montes de papel, quanto o aparente silêncio proporcionado pelo vazio em vários documentos. Outros trabalhos foram realizados fundamentados na apropriação de fotografias encontradas no acervo digital do Yad Vashem, memorial das vítimas do Holocausto sediado em Jerusalém, Israel. Trata-se de uma instituição com um dos maiores arquivos fotográficos do Holocausto no mundo e, com essas imagens, a artista propõe apagamentos e justaposições com carimbos. A palavra “celestes” é vista em uma das fotografias e foi extraída de um verso do poeta — sobrevivente do Holocausto — Paul Celan: “seguem os destroços celestes”.</div><div>Como o tempo verbal da frase, a pesquisa de Leila Danziger versa sobre o presente dessas imagens, ou seja, fatos e documentos históricos são recodificados como destroços que seguem agindo no mundo contemporâneo. Se o Holocausto chegou ao fim, o antissemitismo não, e basta pesquisar suas estatísticas ainda latentes em um momento histórico em que o ódio impulsiona tantas ações.</div><div>Os fluxos migratórios, muitas vezes motivados pela necessidade da fuga, viram, nesse arco histórico de quase um século, os mastros de navios serem substituídos pelas asas de aviões. Recentemente, porém, como disseminado e explorado cruelmente pelos meios de comunicação de massa, no Mar Mediterrâneo vive-se uma nova onda de diáspora das regiões da África e Ásia rumo à Europa Ocidental.</div><div>Esses episódios recentes orientam o segundo eixo da exposição que é baseado nesses materiais da mídia impressa e dos audiovisuais compartilhados via internet. É interessante constatar as diferentes materialidades com que a artista trabalha — dos arquivos públicos aos arquivos digitais, interessa a possibilidade de abrir ao público as muitas camadas que as imagens contêm. Fotografias e jornais têm suas superfícies rasgadas e nos lembram da fisicalidade das imagens, ao passo que os pixels dos frames de vídeos nos trazem algo latente dos arquivos digitais.</div><div>Jornais têm suas informações textuais apagadas e nosso olhar paira sobre suas fotografias. Abrigos, botes cheios de pessoas, incêndios e ruínas são ladeados nessa espécie de livros de histórias que não são orientados exclusivamente pelas palavras. Já em outra série de trabalhos, as fotografias utilizadas são frames (imagens estáticas) oriundos de audiovisuais amadores que registram imagens de pessoas sendo resgatadas no Mediterrâneo. Divididas em outras imagens em formato de uma grade, a artista cria uma legenda fictícia para cada peça desse quebra-cabeça que compõe o frame. Esses textos trazem hiperlinks, colados e sequenciados, em diversas línguas. E se a avalanche de informações textuais que rodeiam nossa experiência na internet fosse um poema? Como mensurar a maneira como essas tragédias nos direitos humanos e todas as discussões que elas trazem sobre fobias contemporâneas são transformadas em códigos? Como estabelecer um cruzamento entre aquelas listas de passageiros do começo do século XX e essas listas quase randômicas de palavras que compõem o acesso a um artigo jornalístico?</div><div>Com vasta experiência como artista visual, poeta e professora, parece que Leila Danziger nos indica com esta exposição que não existe apenas um cruzamento, mas várias encruzilhadas. As histórias ainda são, em certa medida, as mestras da vivência cotidiana e, por outro lado, qualquer ação inscrita no presente tem seu espaço reservado em um templo da memória. Independentemente do caminho que se escolha, o fascínio pelas imagens sempre deve vir embebido de uma postura ética quanto ao uso delas.</div><div>O tempo e o espaço podem separar os botes e os navios, mas o medo de fugir e de chegar, além da dúvida sobre a vitalidade do corpo nessa trajetória, é latente – e, não, não pode ser esquecido.</div><div>Raphael Fonseca - Curador</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>MULHERES NA COLEÇÃO MAR</title><description><![CDATA[Clarice: "quanto mais perco meu nome, mais me chamam" Cecília: "de dura insconstância é teu nome feito"Clarice e Cecília [2007]carimbo sobre jornal apagado e grampos de aço116 x 32 cm ___ Ana C. : “eu era menina e escrevia memórias, envelhecida”Para Ana C. César [2007]carimbo sobre jornal apagado e grampos de aço116 x 32 cm]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/15/MULHERES-NA-COLE%C3%87%C3%83O-MAR</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/15/MULHERES-NA-COLE%C3%87%C3%83O-MAR</guid><pubDate>Fri, 16 Nov 2018 00:06:18 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_dc09e11e50e7446b970e1c8806796db8~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_68f4ae876c79498ca96686dd8ca8b848~mv2.jpg"/></div><div>Clarice: &quot;quanto mais perco meu nome, mais me chamam&quot; Cecília: &quot;de dura insconstância é teu nome feito&quot;</div><div>Clarice e Cecília [2007]</div><div>carimbo sobre jornal apagado e grampos de aço</div><div>116 x 32 cm ___ Ana C. : “eu era menina e escrevia memórias, envelhecida”</div><div>Para Ana C. César [2007]</div><div>carimbo sobre jornal apagado e grampos de aço</div><div>116 x 32 cm</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Histórias do além-mar</title><description><![CDATA[A artista Leila Danziger partiu da trajetória do próprio pai para refletir sobre uma questão que há décadas assombra as populações do mundo. Na exposição Navio de emigrantes, em cartaz na Caixa Cultural, ela se debruçou sobre documentos históricos para falar de duas ondas de imigração que marcaram a história da humanidade.Filha de judeu alemão que fugiu a Alemanha nazista, Leila foi em busca de fotografias, listas de passageiros e todo o tipo de documentos sobre quatro navios que aportaram no<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e9c8f2bbc5894d19a089975d29453e93%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_316/22d7b6_e9c8f2bbc5894d19a089975d29453e93%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Nahima Maciel | Correio Braziliense</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/10/Hist%C3%B3rias-do-al%C3%A9m-mar</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/11/10/Hist%C3%B3rias-do-al%C3%A9m-mar</guid><pubDate>Sun, 11 Nov 2018 00:07:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e9c8f2bbc5894d19a089975d29453e93~mv2.jpg"/><div>A artista Leila Danziger partiu da trajetória do próprio pai para refletir sobre uma questão que há décadas assombra as populações do mundo. Na exposição Navio de emigrantes, em cartaz na Caixa Cultural, ela se debruçou sobre documentos históricos para falar de duas ondas de imigração que marcaram a história da humanidade.</div><div>Filha de judeu alemão que fugiu a Alemanha nazista, Leila foi em busca de fotografias, listas de passageiros e todo o tipo de documentos sobre quatro navios que aportaram no Brasil vindos da Europa na década de 1930. A esse material, deu vários tipos de tratamento para transformá-lo em linguagem plástica e juntou a segunda parte da pesquisa, sobre os refugiados contemporâneos que saem da África e atravessam o Mediterrâneo em embarcações precárias para fugir de guerras e regimes ditatoriais.</div><div>Entre imagens e registros, Leila se deparou com listas de passageiros cujos nomes ela embaralhou em um dos trabalhos. “O que me interessa nessas listas de passageiros é lembrar, nas entrelinhas, daqueles que não conseguiram escapa”, explica a artista que usou jornais e carimbos com versos de Paul Celan e desenhos e gravuras de Lasar segall, outro judeu que veio para o Brasil em fuga da guerra.</div><div>Gravuras de Segall impressas postumamente pelo museu que leva o nome do artista em São Paulo também fazem parte da exposição. (Nahima Maciel)</div><div>Correio Braziliense, 7/11/ 2018</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Navio de emigrantes | Caixa Cultural Brasília 30 out - 23 dez 2018</title><description><![CDATA["Com mastros cantados apontados para a terra/ seguem os destroços celestes.// Nesta canção de madeira cravas os dentes/ com força.// Tu és a flâmula/ sólida de canto." (Paul Celan)<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_dcd1da0d1bc846b48ab1e04cea939996%7Emv2_d_5333_3000_s_4_2.png/v1/fill/w_656%2Ch_369/22d7b6_dcd1da0d1bc846b48ab1e04cea939996%7Emv2_d_5333_3000_s_4_2.png"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/10/27/Navio-de-emigrantes-Caixa-Cultural-Bras%C3%ADlia-30-out---23-dez-2018</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/10/27/Navio-de-emigrantes-Caixa-Cultural-Bras%C3%ADlia-30-out---23-dez-2018</guid><pubDate>Sun, 28 Oct 2018 02:59:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_dcd1da0d1bc846b48ab1e04cea939996~mv2_d_5333_3000_s_4_2.png"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_cd45a3a59a894a02a239026524a584e6~mv2_d_1890_2598_s_2.jpg"/><div>&quot;Com mastros cantados apontados para a terra/ seguem os destroços celestes.// Nesta canção de madeira cravas os dentes/ com força.// Tu és a flâmula/ sólida de canto.&quot; (Paul Celan)</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>ao sul do futuro | museu lasar segall</title><description><![CDATA[Em 1941, o escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) publicou o livro Brasil, país do futuro. O texto reflete o encantamento do autor com os trópicos durante seu período de exílio, quando acontecia a Segunda Guerra Mundial. Alguns anos antes da publicação do livro, em 1935, a família Danziger chegava ao Rio de Janeiro também em busca de refúgio por causa do antissemitismo nazista. Uma década antes, em 1923, o artista Lasar Segall fixa residência em São Paulo.Setenta anos depois das palavras de<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c8a115ca725d48458a1f1afb0821e10b%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_459/22d7b6_c8a115ca725d48458a1f1afb0821e10b%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/09/07/ao-sul-do-futuro-museu-lasar-segall</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/09/07/ao-sul-do-futuro-museu-lasar-segall</guid><pubDate>Fri, 07 Sep 2018 22:41:43 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c8a115ca725d48458a1f1afb0821e10b~mv2.jpg"/><div>Em 1941, o escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) publicou o livro Brasil, país do futuro. O texto reflete o encantamento do autor com os trópicos durante seu período de exílio, quando acontecia a Segunda Guerra Mundial. Alguns anos antes da publicação do livro, em 1935, a família Danziger chegava ao Rio de Janeiro também em busca de refúgio por causa do antissemitismo nazista. Uma década antes, em 1923, o artista Lasar Segall fixa residência em São Paulo.</div><div>Setenta anos depois das palavras de Zweig, o Brasil ainda aguarda o momento de atingir seu sonhado futuro; ao sul da Europa (e do eurocentrismo) temos aprendido que viver o presente talvez seja a melhor resposta para o anseio futurista do Modernismo – especialmente na jovem democracia brasileira. O que Leila Danziger propõe em sua pesquisa como artista visual e poeta é um convite a um olhar cético, fruto dos traumas históricos que nos trazem ao agora. Para alcançarmos isso, é preciso termos um pé no aqui (presente) e o outro no lá (passado).</div><div>As narrativas acerca do processo de migração não apenas de sua família, mas de milhares de judeus-alemães que enxergavam o Brasil como território para um novo começo, são centrais nesta exposição. Peças gráficas são matéria e tema dos trabalhos reunidos – agendas, livros de literatura e livros didáticos – e nos fazem refletir sobre a esfera afetiva que puderam um dia ter. As manchas nos papéis são essenciais para nos lembrarmos do acúmulo temporal e para percebermos suas contaminações por fluidos corporais e lugares de condicionamento. Os móveis da sala de estar e do escritório de uma família podem se tornar gavetas de um arquivo histórico.</div><div>Bildung (“formação cultural”, em alemão), instalação na primeira sala, é constituída de livros alemães trazidos pelos seus avós paternos. Goethe, Lessing, dentre outros autores, foram transportados ao sul do globo tanto como objeto de estudo, ou como lembrança de um norte para o qual o retorno era incerto. A chegada ao país colocava os imigrantes entre a tentativa de preservar uma língua e o encontro com o português. A essa biblioteca transatlântica foram acrescentados livros didáticos sobre a “história do Brasil”, resultados da profissão da avó materna e da mãe da artista, ambas professoras. Muitos deles foram impressos durante o período do Estado Novo, a ditadura militar, e não é pouco comum notarmos em suas capas o apelo à noção abstrata de “pátria”. Fugiu-se do nacionalismo radical alemão e logo esses corpos se chocaram com as ondas de repressão dos nacionalismos tropicais.</div><div>A justaposição de imagens é um método recorrente na produção da artista e está presente não apenas nessas imagens com cunho informativo, mas na série em que agendas em branco são costuradas ou sustentadas por ímãs. Livros coletados durante a remodelação da biblioteca da Associação Scholem Aleichem (Rio de Janeiro) também são costurados e deixam entrever a presença do ídiche em sua superfície. Costurar esses papéis é atribuir peso a eles e nos leva a refletir tanto sobre o vazio daqueles espaços em branco destinados a anotações, quanto ao silenciamento do ídiche, idioma composto pela costura da apropriação de várias línguas.</div><div>Sobre estes trabalhos, um olhar atento notará a presença de carimbos que citam algumas imagens emblemáticas. Reproduzido na entrada está o carimbo usado na série de obras que dá nome à exposição; trata-se de uma citação ao Mar de gelo (1823-1824), pintado pelo alemão Caspar David Friedrich (1774-1840). Na imagem original, duas embarcações estão naufragadas e misturadas com blocos de gelo. No percurso das imigrações que tiveram o Brasil como ponto de chegada, muitas vidas naufragaram fisicamente e existencialmente. Os blocos de gelo derreteram devido ao poder solar do Sul, mas a incerta saudade daqueles que seguiram no norte gélido instaurou em alguns dos novos brasileiros a mesma impossibilidade de ação dos barcos de Friedrich. Há quem chame esse fenômeno de melancolia.</div><div>A pesquisa de Leila Danziger toca em algumas questões muito caras a Lasar Segall, o morador da casa que agora é este Museu. Estabelecer essas relações pelo viés do judaísmo faz sentido e se configura como o diálogo mais seguro. Gostamos, porém, de ver suas imagens e refletir sobre o seu interesse em representar cenas de momentos de ensino, letras do alfabeto hebraico e, claro, o seu olhar complacente com figuras humanas em situação de emigração – assim como sua biografia é a de um imigrante.</div><div>Se hoje Lasar Segall é essencial referência para a história da arte no Brasil, não nos esqueçamos de que em sua juventude ele foi um nome de passageiro em um barco ao sul do futuro – como ocorre com tantas pessoas cujos nomes próprios seguem a desaparecer no Atlântico.</div><div><a href="http://gabinetedejeronimo.blogspot.com/">Raphael Fonseca - curador</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>onde se queimam livros | 13o. ciclo de investigações em artes visuais | udesc</title><description><![CDATA[“Isso foi um prelúdio. Lá, onde se queimam livros, queimam-se por fim também seres humanos”. (Heinrich Heine)<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_540e998662fc4c23a6624dd15981aa36%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_927/22d7b6_540e998662fc4c23a6624dd15981aa36%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/09/05/onde-se-queimam-livros-13o-ciclo-de-investiga%C3%A7%C3%B5es-em-artes-visuais-udesc</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/09/05/onde-se-queimam-livros-13o-ciclo-de-investiga%C3%A7%C3%B5es-em-artes-visuais-udesc</guid><pubDate>Wed, 05 Sep 2018 21:25:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_540e998662fc4c23a6624dd15981aa36~mv2.jpg"/><div>“Isso foi um prelúdio. Lá, onde se queimam livros, queimam-se por fim também seres humanos”. (Heinrich Heine)</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>leituras insistentes | puropirão</title><description><![CDATA["Há quase dois anos formamos um grupo de reflexão sobre a escrita poética em suas múltiplas interfaces – em particular com as artes e com a filosofia. Agora sentimos a necessidade de sair da esfera privada e atuar de modo público e político, promovendo debates que visam sobretudo a conferir visibilidade à autoria feminina, associando escrita literária e produção intelectual. Daí surgiu o grupo “puropirão”, para acolher o impuro grão, a farinha do mundo. Recentemente lançamos pela 7Letras,<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4231f9734e384401bd1b813f495ff6fe%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_366/22d7b6_4231f9734e384401bd1b813f495ff6fe%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/07/05/leituras-insistentes</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/07/05/leituras-insistentes</guid><pubDate>Thu, 05 Jul 2018 21:20:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4231f9734e384401bd1b813f495ff6fe~mv2.jpg"/><div>&quot;Há quase dois anos formamos um grupo de reflexão sobre a escrita poética em suas múltiplas interfaces – em particular com as artes e com a filosofia. Agora sentimos a necessidade de sair da esfera privada e atuar de modo público e político, promovendo debates que visam sobretudo a conferir visibilidade à autoria feminina, associando escrita literária e produção intelectual. Daí surgiu o grupo “puropirão”, para acolher o impuro grão, a farinha do mundo. Recentemente lançamos pela 7Letras, respectivamente, “C’est loin Bagdad [fotogramas]”, &quot;Belo Horizontes boulevards” e “Bye bye Babel”, livros de poesia atravessados por certas geografias e afinidades eletivas. Para nós, a escrita vem sendo experimentada como “leituras insistentes” de outras poetas, em um demorado contato que insiste em abrir-se a elas. No dia 5 de julho, falaremos de algumas de nossas filiações – Tamara Kamenszain, Adília Lopes e Orides Fontela –, faremos leituras de poemas e conversaremos com o público. A mediação será de Valéria Lamego. Esperamos vocês!&quot; Leila Danziger, Masé Lemos e Patrícia Lavelle.</div><div><a href="https://medium.com/blooks/as-mulheres-do-puropir%C3%A3o-conversam-com-a-blooks-54af7deda83f">https://medium.com/blooks/as-mulheres-do-puropir%C3%A3o-conversam-com-a-blooks-54af7deda83f</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>C'est loin Bagdad [fotogramas]</title><description><![CDATA[As redes sociais alteraram a forma com que trabalhamos as perdas e o luto? De forma profunda, não sei, mas é certo que oferecem um meio novo. Os perfis são pequenos condensados de vida que ficam lá, em suspenso. Não para sempre, é certo, mas até que a tecnologia se torne obsoleta ou que a plataforma se esvazie definitivamente, porque teremos todos migrado para outras estratosferas digitais, deixando para trás escombros de imagens e informações.As primeiras palavras desta publicação foram<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5ba6eb740b9249afa5aea4289ed1e790%7Emv2_d_2016_3198_s_2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_1041/22d7b6_5ba6eb740b9249afa5aea4289ed1e790%7Emv2_d_2016_3198_s_2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/05/29/Cest-loin-Bagdad-fotogramas</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/05/29/Cest-loin-Bagdad-fotogramas</guid><pubDate>Tue, 29 May 2018 20:48:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5ba6eb740b9249afa5aea4289ed1e790~mv2_d_2016_3198_s_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d9914d5412c246448aa2a068f4d705ff~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_6035d5267e0d4365ad6296d4588843a0~mv2.jpg"/><div>As redes sociais alteraram a forma com que trabalhamos as perdas e o luto? De forma profunda, não sei, mas é certo que oferecem um meio novo. Os perfis são pequenos condensados de vida que ficam lá, em suspenso. Não para sempre, é certo, mas até que a tecnologia se torne obsoleta ou que a plataforma se esvazie definitivamente, porque teremos todos migrado para outras estratosferas digitais, deixando para trás escombros de imagens e informações.</div><div>As primeiras palavras desta publicação foram escritas em 2012 e retomadas em 2015, quase dois anos depois do desaparecimento de uma querida amiga francesa. Certo dia, uma de suas postagens ressurgiu, viva, relançada por algum “like”, desfilando feito nova na minha TL. O susto me fez retomar a escrita e visitar seu perfil como quem assiste um filme. (Valérie Brégaint era diretora e editora de cinema – “chef monteuse”, porque fica mais bonito e verdadeiro).</div><div>“C’est loin Bagdad [fotogramas]” é um único poema dividido em nove partes e uma série de imagens em díptico (o que ela adorava). Todas as imagens são apropriadas e trabalhadas do seu perfil no Facebook. São imagens desfocadas, carregadas de ruídos do trânsito por materialidades diversas.</div><div>O livro é movido pelo desejo de agradecer e celebrar uma amizade intensa e desencontrada no espaço. Talvez tenha sido a forma que encontrei de me inscrever no curta metragem “C’est loin Bagad”, que ela havia terminado de rodar quando nos conhecemos e se tornou uma lenda para mim, porque falava de fugas e energias utópicas, um tempo sempre a vir.</div><div>Gratidão profunda à Christine Choffey, amiga-irmã de Valérie, e que atuou como atriz em “C’est loin Bagdad”. Elas me apresentaram boa parte da arte, literatura e cinema que são fundamentais para mim até hoje. (A amizade pode ser tão ou mais formadora que a educação formal.) Além disso, elas me abrigaram em suas casas, em suas famílias.</div><div>Assim, é na presença das duas, com suas vozes, que esse livrinho foi feito. Sua forma é provisória, à espera de agregar novas palavras, comentários, condensados de imagem-texto-afeto-memória.</div><div>Será lançado junto à produção recente de duas amigas, cuja interlocução vem sendo fundamental: Masé Lemos (Belo Horizonte Boulevards) e Patricia Lavelle (Bye Bye Babel). </div><div><a href="https://www.7letras.com.br/c-est-loin-bagdad-fotogramas.html">https://www.7letras.com.br/c-est-loin-bagdad-fotogramas.html</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Tres ensayos de habla</title><description><![CDATA[Selección del libro Tres ensayos de habla (2012) de Leila Danziger. Traducción de Ignacio Morales V.VANITASNo fotografié el lirio que abrió por la mañana como prometió la florista a la que no creí por temer el difícil comportamiento de las flores en mi casaEl lirio no se relaciona con ningún proyectoes solo una flor que se abrió en el florero sobre la mesa de trabajo al lado de papeles con anotaciones imprescindibles y urgentes que aguardan decisiones desde el año pasadoEl lirio –único- apenas]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/05/21/Tres-ensayos-de-habla</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/05/21/Tres-ensayos-de-habla</guid><pubDate>Mon, 21 May 2018 14:53:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Selección del libro Tres ensayos de habla (2012) de Leila Danziger. Traducción de Ignacio Morales V.</div><div>VANITAS</div><div>No fotografié el lirio que abrió por la mañana como prometió la florista a la que no creí por temer el difícil comportamiento de las flores en mi casa</div><div>El lirio no se relaciona con ningún proyecto</div><div>es solo una flor que se abrió en el florero sobre la mesa de trabajo al lado de papeles con anotaciones imprescindibles y urgentes que aguardan decisiones desde el año pasado</div><div>El lirio –único- apenas perturba el desorden del cuarto como los tulipanes demasiado rojos, demasiado excitables</div><div>no es invierno aquí mañana comienza el horario de verano y antes de que los días se alarguen no quedará el menor recuerdo de mi duda sobre qué hacer con la flor sino mirarla afligida y sentir el olor dulcificado de un lirio sobre la mesa al lado de una pila de libros diarios viejos y de la anotación-</div><div> crear un espacio hecho de columpios y cuerdas para el personaje de Kafka que vive en lo alto temeroso de pisar el mundo</div><div>MINIMA MORALIA</div><div>Sobre la mesa de trabajo la cinta adhesiva se adhiere a los diarios y ahoga los ruidos del día. Permite solo la lectura sobre un pez ciego que recuperó la visión después de un millón de años en lo oscuro.</div><div>Este fue un instante de felicidad súbita Que se mide avergonzada ante la inconmensurable tristeza de lo que existe y si me preguntaran “cómo fue tu día” diría palabras preparadas pero nada sobre aquello que ahoga los ruidos o la salida de un pez de la oscuridad.</div><div>Guardo la felicidad entre las cosas mudas y ciertos días, para salvarla, la entrego definitivamente al olvido.</div><div>HEBRAICO</div><div>A la derecha de la mesa 29 tarjetas con las letras del alfabeto método Leer es fácil comprado por mi padre en 1968 por doscientos y veinte cruzeiros nuevos pagados a Mazal, calle senador Dantas 45-B, sala 801— boleta guardada en un sobre de la Revista Ingeniero Moderno Examine todos los ítems del método Tome ahora su decisión</div><div>Retiro el elástico que reúne las tarjetas entregadas así a la mesa en dispersión</div><div>y leo— el delicado trabajo del moho que avanza decidido por los lados.</div><div>(Hay poderosas formas de vida que se reproducen en húmeda comunidad desde el Levítico.)</div><div>__________</div><div>Reúno nuevamente las letras del alfabeto investigo el origen de la disolución que se propaga a partir de la esquina superior derecha y percibo— sedimentaciones blanquecinas formadas en el punto exacto donde mi padre tomaba las tarjetas</div><div>PUNTUALIDAD</div><div>A las seis y treinta y cinco, abro la ventana y los diarios oscilan con el viento: el esqueleto de la ballena, un héroe de piedra, el niño que atraviesa un río a caballo.</div><div>El día comienza a la espera de un gesto. El niño eleva la mirada al décimo piso en el instante exacto en que cierra el portón de fierro.</div><div>Devuelvo inmovilidad a las imágenes y me retiro tras el vidrio siempre empolvado que filtra la brutalidad creciente del sol. (En el lugar del mundo en que estoy, las estaciones nunca se cumplen.)</div><div>De pasada inspecciono configuraciones minúsculas de suciedad y moho en progresión</div><div>Hay perspectivas de la casa que desconozco, puntos en que reparo no más de unos instantes. Sé que hay vida en el vacío inalcanzable entre el armario y el estante donde lo que cae se ausenta</div><div>y reaparece—</div><div>libre de función, urgencia, sentido.</div><div>Es realmente importante que algunos lugares de la casa vivan sin mí.</div><div>LA MECÁNICA DE LA CASA</div><div>No borro el recuerdo de la piedra en el vidrio. El agujero encuadra: tanque de agua, macetero colgado, nubes -un jardín.</div><div>En ciertas paredes, la humedad es intensa y surgen diagramas sedimentos marcas de las difíciles negociaciones entre el adentro y el afuera.</div><div>La luz solo es permitida en el cuarto de adelante (hasta las 10) y en el área de servicio ( hasta que se desvanezca).</div><div>Por la ventana del fondo, por la noche, siempre llueve.</div><div> TRES ENSAYOS DE HABLA</div><div>1</div><div>Las palabras se tropiezan – abruptas, incompletas, aplazadas indefinidamente. Cada frase es modulada a partir de un ejercicio riguroso de extracción de las palabras, prendidas a otras palabras (que pesan y se arrastran). Él habla contra todo lo que ofrece resistencia. ¿Tienes arena en el paladar? ¿piedras? Hesitaciones y balbuceos dan forma justa al pensamiento.</div><div>2</div><div>En su habla, la desembocadura quiere retornar a su nacimiento, no distinguirse del campo sonoro, volverse ruido. ¿Él habla o solo respira? No articula frases, sino flujos enmarañados de nombres (los mares, las calles en que fue feliz, los afluentes del San Francisco, las aldeas a los márgenes del Danubio).</div><div>3</div><div>Su habla aleja, establece distancia, levanta monumentos. Las palabras surgen de una clasificación científica, como especímenes de un jardín botánico. Las frases esperan en algún lugar de su cuerpo el momento oportuno de venir al mundo, y, cuando pasan, dejan cierto musgo, propio de lo que nace apaciguado.</div><div>TE AMO</div><div>La voz tartamudea en el medio del peligro. Cada palabra – contraída expandida- sabe que el riesgo es parte integrante del ritmo y tartamudear es la conciencia extrema del riesgo del habla, del riesgo del afecto del habla.</div><div>Sostiene la voz y levanta la frase en el aire mientras exhala hasta la última sílaba. Contempla las palabras en el rostro del otro en el instante exacto en que producen alteraciones en su forma. Y baja los ojos sin aliento.</div><div>—</div><div>+Ignacio Morales V.(Santiago, 1986), poeta y traductor. Ha publicado Volvo (Libros Tadeys, 2017) y las antologías de poesía escolar Miraré el sol y me quemaré con gusto (2015) y Ven a bailar contra el oleaje, ven a gozar la fácil destrucción del cisne, 14 poetas del Apocalipsis (2016), por el sello Épica social americana. Actualmente reside en São Paulo.</div><div>Publicado em <a href="https://saposcat.cl/traduccion-leila-danziger/">https://saposcat.cl/traduccion-leila-danziger/</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>a casa é quando a gente volta | Ana Costa Ribeiro | Ateliê da Imagem | 3 fev a 7 abr</title><description><![CDATA[“Uma casa é as ruínas de uma casa”, escreveu o poeta português Antonio Manuel Pina, em um verso cuja sintaxe provoca certa desorientação, confundindo presente e futuro, dentro e fora, de modo não muito distante do que se passa numa fita de Moebius. Em A casa é quando a gente volta, Ana Costa Ribeiro provoca desorientações semelhantes, torcendo tempo e espaço, nos oferecendo paisagens, arquivos, baleias e trovões. Esse é o espaço da casa para a artista – espaço-membrana, delimitado pelas<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3fb0f78b297e41ba84ccbd96d129fbf6%7Emv2.png/v1/fill/w_656%2Ch_456/22d7b6_3fb0f78b297e41ba84ccbd96d129fbf6%7Emv2.png"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/01/29/a-casa-%C3%A9-quando-a-gente-volta-Ana-Costa-Ribeiro-Ateli%C3%AA-da-Imagem-3-fev-a-7-abr</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2018/01/29/a-casa-%C3%A9-quando-a-gente-volta-Ana-Costa-Ribeiro-Ateli%C3%AA-da-Imagem-3-fev-a-7-abr</guid><pubDate>Mon, 29 Jan 2018 16:08:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3fb0f78b297e41ba84ccbd96d129fbf6~mv2.png"/><div>“Uma casa é as ruínas de uma casa”, escreveu o poeta português Antonio Manuel Pina, em um verso cuja sintaxe provoca certa desorientação, confundindo presente e futuro, dentro e fora, de modo não muito distante do que se passa numa fita de Moebius. Em A casa é quando a gente volta, Ana Costa Ribeiro provoca desorientações semelhantes, torcendo tempo e espaço, nos oferecendo paisagens, arquivos, baleias e trovões. Esse é o espaço da casa para a artista – espaço-membrana, delimitado pelas negociações entre o familiar e o público, entre desaparecimentos e encontros. A artista nos lembra que a casa é um território temporal, desde sempre já passado, submerso, perdido, e também futuro, à espera.</div><div>A ampla experiência da artista no cinema modela as obras apresentadas. Ana afirma uma poética da montagem: tudo aqui é compósito, dependente de relações entre os elementos das séries entre si, exigindo leituras atentas, ativas, imaginativas. O filme Arpoador se desdobra numa série de imagens intitulada Os corpos e o tempo, em que a vela de um barco se repete em ondulações, deixando-se agitar pelo vento mais intenso. A baleia branca, sempre inapreensível, pressiona a foto da mãe, as mãos e a voz do pai, as chamas de uma vela, uma flor em oferenda. Para Ana, paisagem é ato de distanciamento e despedida, que ao realizar-se afirma um movimento vigoroso de afirmação da vida.</div><div>Em Termodielétrico, filme em processo e instalação, os arquivos do avô, pioneiro da física experimental, são transferidos do campo da ciência ao da arte e creio mesmo que estes arquivos esperavam ansiosamente a chegada da neta artista, dedicada a consigná-los em outros suportes e liberá-los da autoridade única da ciência. Ao lidar com os arquivos de Joaquim da Costa Ribeiro, Ana traz à tona fricções entre sua história familiar e a história da ciência no Brasil, produzindo delicados abalos que fazem convergir dois campos de vocação experimental – a arte e a ciência. E se Termodielétrico diz respeito a condução de correntes elétricas, nada mais coerente do que as experiências propostas por Ana na arte, campo onde ocorrem as trocas simbólicas mais generosas, de onde surge a energia com a qual construímos sentidos para a vida, o que acontece aqui e agora, nesta exposição, sob os nossos olhos.</div><div>Leila Danziger</div><div>Janeiro, 2018</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>a extração dos dias [poesia brasileira agora]</title><description><![CDATA[(......) "os poemas que aqui seguem deixam ver a potência e a diversidade de uma cena cheia de vida, complexa e contraditória como qualquer coisa que respira e se movimenta. Rumor de dia claro, proposição de um tempo outro (qualquer que seja ele, melhor do que a época sombria em que neste instante afundamos todos), esses poemas são (como o amor) memória e promessa, arquivo do presente e exploração, desde já, do que no futuro é desconhecimento e alegria possível." (Gustavo Silveira Ribeiro)A<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c5133946bbef4c6e95ef9f3f0da873db%7Emv2.png/v1/fill/w_656%2Ch_875/22d7b6_c5133946bbef4c6e95ef9f3f0da873db%7Emv2.png"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/11/24/a-extra%C3%A7%C3%A3o-dos-dias-poesia-brasileira-agora</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/11/24/a-extra%C3%A7%C3%A3o-dos-dias-poesia-brasileira-agora</guid><pubDate>Fri, 24 Nov 2017 16:58:57 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>(......) &quot;os poemas que aqui seguem deixam ver a potência e a diversidade de uma cena cheia de vida, complexa e contraditória como qualquer coisa que respira e se movimenta. Rumor de dia claro, proposição de um tempo outro (qualquer que seja ele, melhor do que a época sombria em que neste instante afundamos todos), esses poemas são (como o amor) memória e promessa, arquivo do presente e exploração, desde já, do que no futuro é desconhecimento e alegria possível.&quot; (Gustavo Silveira Ribeiro)</div><div>A extração dos dias [poesia brasileira agora], Curitiba: Ed.Escamandro, 2017. <a href="https://escamandro.files.wordpress.com/2017/10/a-extracao-dos-dias-poesia-brasileira-agora-org-gustavo-silveira-ribeiro-escamandro-2ed.pdf">Download gratis</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c5133946bbef4c6e95ef9f3f0da873db~mv2.png"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Arte como memória do mal e espaço de ação | IEA-USP | 23 de outubro</title><description><![CDATA[O encontro “Arte como Memória do Mal e Espaço de Ação” é um desdobramento da exposição “Hiatus: A Memória da Violência Ditatorial na América Latina” que acontece no Memorial da Resistência/Estação Pinacoteca entre 21 de outubro de 2017 e 13 de março de 2018. No contexto do IEA-USP esse encontro está integrado às atividades do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória do IEA-USP.A proposta desse colóquio é juntar os artistas que estarão na exposição no Memorial da<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_55af9b1a1c4542e4954d87d09589d9ae%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_456/22d7b6_55af9b1a1c4542e4954d87d09589d9ae%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>seminário</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/12/Arte-como-mem%C3%B3ria-do-mal-e-espa%C3%A7o-de-a%C3%A7%C3%A3o-IEA-USP-23-de-outubro</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/12/Arte-como-mem%C3%B3ria-do-mal-e-espa%C3%A7o-de-a%C3%A7%C3%A3o-IEA-USP-23-de-outubro</guid><pubDate>Fri, 13 Oct 2017 00:14:08 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_55af9b1a1c4542e4954d87d09589d9ae~mv2.jpg"/><div>O encontro “Arte como Memória do Mal e Espaço de Ação” é um desdobramento da exposição “Hiatus: A Memória da Violência Ditatorial na América Latina” que acontece no Memorial da Resistência/Estação Pinacoteca entre 21 de outubro de 2017 e 13 de março de 2018. No contexto do IEA-USP esse encontro está integrado às atividades do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória do IEA-USP.</div><div>A proposta desse colóquio é juntar os artistas que estarão na exposição no Memorial da Resistência com pesquisadores do tema da inscrição simbólico-artística das ditaduras na América Latina. Todos os artistas dessa exposição têm se dedicado a trabalhar o tema da memória do mal em suas obras. Eles representam um importante filão de produtores de cultura que nas últimas duas décadas se voltaram para temas sociais de modo novo e criativo, para além da chave tradicional do realismo ou da representação objetificadora do “outro”. Antes, suas obras constituem dispositivos que desencadeiam uma releitura crítica da realidade e incidem de modo aberto e efetivo nos debates acerca da memória – e muitas vezes contra os assim chamados “memoricidas” e normalizadores ou naturalizadores da violência.</div><div>Como a arte se relaciona com a violência, como apresentar a dor sem resvalar para o gozo do sofrimento, qual o alcance dessa arte crítica e mnemônica, serão algumas das questões que serão debatidas. No caso específico do Brasil, a CNV de 2012-14 destacou uma série de crimes ocorridos no período da ditadura de 1964-85, mas, como é notório, ela ficou impedida de aprofundar suas pesquisas devido a uma série de fatores, sobretudo de ordem política.</div><div>Em que medida os artistas podem servir de agentes na luta para se aprofundar essas pesquisas? Como eles podem se tornar verdadeiros agentes de um combate histórico pela verdade? As artes, que desde as vanguardas históricas se tornaram agentes de provocação e de ataque ao establishment, voltam-se agora especificamente para essa luta pela memória e pela verdade: pelo direito de conhecimento e inscrição da violência em uma sociedade que se acostumou a esquecer de seus crimes sociais, da escravidão até nossos dias.</div><div>Inscrições</div><div>Evento público e gratuito | Com inscrição prévia</div><div>Capacidade da sala: 55 lugares</div><div>Onde estamos</div><div>Organização</div><div>Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória do IEA</div><div>Apoio</div><div>Goethe Institut</div><div>Memorial da Resistência de São Paulo</div><div>Pina_</div><div>Programação</div><div>10h</div><div>Moderadora: Flavia Schilling (FEUSP/GPDH/IEA-USP)</div><div>Horst Hoheisel (artista, Alemanha)</div><div>Andreas Knitz (artista, Alemanha)</div><div>Rodrigo Yanes (artista, Chile/Espanha)</div><div>Márcio Seligmann-Silva (IEL-UNICAMP/GPDH-IEA-USP)</div><div>12h</div><div>Intervalo para Almoço</div><div>14h</div><div>Moderador: Andrei Koerner (IFCH-UNICAMP/GPDH-IEA-USP)</div><div>Leila Danziger (artista/ UERJ)</div><div>Fulvia Molina (artista, São Paulo)</div><div>15h30</div><div>Intervalo</div><div>15h45</div><div>Moderadora: Wânia Pasinato (GPDH/IEA-USP)</div><div>Jaime Lauriano (artista, São Paulo)</div><div>Clara Ianni (Artista, São Paulo)</div><div>Virginia Vecchioli (antropóloga, UFSM)</div><div>17h15</div><div>Intervalo</div><div>17h30</div><div>Encerramento com apresentação musical com violão e flauta: Duo Arthur Endo e Felipe Santos</div><div><a href="http://www.iea.usp.br/eventos/arte-como-memoria-do-mal-e-espaco-de-acao">http://www.iea.usp.br/eventos/arte-como-memoria-do-mal-e-espaco-de-acao</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Hiatus: a memória da violência ditatorial na América Latina</title><description><![CDATA[A proposta dessa exposição, que acontecerá no Memorial de Resistência de São Paulo de 21/10/17 a 12/03/18, é refletir sobre a memória das ditaduras na América Latina, com destaque para o Brasil, a Argentina e o Chile. Um dos vetores a balizar essa exposição será o papel cumprido pelos relatórios das Comissões de Verdade nesse trabalho de recordação. Sociedades pós-ditatoriais são espaços de negociação e de conflitos entre memórias que se decantam e perfilam em função de questões privadas,<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_f7b35a9465624f58b1ebbafaf052a5ba%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_456/22d7b6_f7b35a9465624f58b1ebbafaf052a5ba%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Memorial da Resistência SP | 21 de outubro de 2017 a 12 de março de 2018</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/12/Hiatus-a-mem%C3%B3ria-da-viol%C3%AAncia-ditatorial-na-Am%C3%A9rica-Latina</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/12/Hiatus-a-mem%C3%B3ria-da-viol%C3%AAncia-ditatorial-na-Am%C3%A9rica-Latina</guid><pubDate>Fri, 13 Oct 2017 00:05:11 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_f7b35a9465624f58b1ebbafaf052a5ba~mv2.jpg"/><div>A proposta dessa exposição, que acontecerá no Memorial de Resistência de São Paulo de 21/10/17 a 12/03/18, é refletir sobre a memória das ditaduras na América Latina, com destaque para o Brasil, a Argentina e o Chile. Um dos vetores a balizar essa exposição será o papel cumprido pelos relatórios das Comissões de Verdade nesse trabalho de recordação. Sociedades pós-ditatoriais são espaços de negociação e de conflitos entre memórias que se decantam e perfilam em função de questões privadas, comunitárias (pensemos nos grupos de ex-guerrilheiros, de parentes de desaparecidos etc.) sociais e até internacionais. Na América Latina essas memórias foram e são ainda negociadas de diferentes modos e em diferentes intensidades. Um país como a Argentina tem uma alta densidade e presença das marcas da ditadura em seu território e em sua paisagem política e histórica. Na outra ponta, no Brasil de um modo geral resiste-se muito mais a enfrentar a tarefa de elaborar essa memória, buscar a verdade e a justiça, estabelecer os marcos e marcas da recordação desse passado. Sua Comissão Nacional da Verdade demorou mais de um quarto de século para ser estabelecida em 2011. Todo ato de recordação se dá no presente e esse presente determina o que e como nos lembramos. Esse ponto será fundamental nesta exposição. Se na Argentina e no Chile as memórias das suas ditaduras se tornaram um elemento importante na autoimagem daqueles países e na produção de novas políticas, no Brasil o recalcamento da violência ditatorial se tornou mais um caso de memoricídio da violência que sempre caracterizou a nossa historia, desde seu período colonial.</div><div>O passado ditatorial pode ser percebido como um “hiato”, ou seja, uma “fenda”, uma “falta” ou “interrupção”, na medida em que percebemos nele uma excepcionalidade que o destaca da história e de sua continuidade. Ao propormos uma curadoria inspirada nesse termo partimos desse pressuposto: ou seja, devemos encarar esse elemento de exceção que marcou o momento da ditadura. Essa exceção era caraterizada pela existência de um Estado autoritário, que utilizou-se de táticas terroristas, suspendendo o estado de direito, perseguindo e eliminando a sua população. Aceitar essa excepcionalidade é importante para pensarmos também na excepcionalidade dessa memória do mal. Por outro lado, sobretudo na América Latina, essa excepcionalidade não pode ocultar o fato da referida tradição de violência no Brasil e que também existe em outros países desse continente. Trata-se de uma violência advinda do Estado e de seus representantes e que também caracteriza a relação ente os diversos grupos sociais. Ou seja, temos que tomar o cuidado de refletir sobre a excepcionalidade dos momentos de ditadura, mas sem com isso apagar os elementos de continuidade da violência, por exemplo, da prática de tortura e de desaparecimento de parte da população nas mãos do aparelho de Estado.</div><div>O “hiato”, portanto, não está rodeado de uma jardim edênico, ou seria um deserto no meio de uma frondosa floresta de direitos humanos, antes esse “hiato” é um momento de aprofundamento das tensões sociais que levaram ao acirramento da violência de Estado. Encarar desse modo essas ditaduras é importante para termos em mente que a memória desses “hiatos” deve servir de crítica a cada presente: todo ato de memória da ditadura deve ser também um tal momento de reflexão crítica. Temos que atentar para a excepcionalidade radical daqueles momentos, para suas características idiossincráticas, mas ao mesmo tempo permanecer atentos para o fato de que os conflitos sociais que estão na base daqueles momentos de crise não terem tido ainda uma resposta digna. O fascismo respondeu às demandas sociais com violência gerando as ditaduras; não aconteceu ainda uma resposta autêntica e à altura daquelas demandas, ou seja: não houve a verdadeira transformação social que permitiria uma verdadeira catarse da violência sofrida nos momentos de “hiato”.</div><div>A Tradução Curatorial dessa Paisagem Histórica</div><div>Diante da tarefa de repensar hoje os “hiatos” ditatoriais da América Latina, esta exposição promove o encontro de oito artistas que vêm se dedicando de modo original e expressivo ao tema da memória do mal nos séculos XX e XXI: Andreas Knitz, Clara Ianni, Fulvia Molina, Horst Hoheisel, Jaime Lauriano, Leila Danziger, Marcelo Brodsky e Rodrigo Yanes.</div><div>Márcio Seligmann-Silva (curador da exposição)</div><div><a href="http://www.iea.usp.br/eventos/hiatus-a-memoria-da-violencia">http://www.iea.usp.br/eventos/hiatus-a-memoria-da-violencia</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Livres Uniks 2 | La Gazette de l'Hôtel Drouot&quot;</title><description><![CDATA[<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d64316185677472e92e1b7f54a254294%7Emv2.jpg/v1/fill/w_579%2Ch_421/22d7b6_d64316185677472e92e1b7f54a254294%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Zaha Redman</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/07/Livres-Uniks-2-La-Gazette-de-lH%C3%B4tel-Drouot</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/10/07/Livres-Uniks-2-La-Gazette-de-lH%C3%B4tel-Drouot</guid><pubDate>Sat, 07 Oct 2017 23:34:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d64316185677472e92e1b7f54a254294~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Livres uniques #2 | Topographie de l'art, Paris | 12 septembre - 8 novembre</title><description><![CDATA[<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_8ad0395e405149faa9e463c0e3d9e8d3%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_495/22d7b6_8ad0395e405149faa9e463c0e3d9e8d3%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/09/05/Livres-uniques-2-Topographie-de-lart-Paris-12-septembre---8-novembre</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/09/05/Livres-uniques-2-Topographie-de-lart-Paris-12-septembre---8-novembre</guid><pubDate>Tue, 05 Sep 2017 22:32:13 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_8ad0395e405149faa9e463c0e3d9e8d3~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>A FORÇA ENTRE O CHOQUE E A DELICADEZA [resenha Ano Novo, Revista Pessoa, 27/08/2017]</title><description><![CDATA[O ritmo intermitente da série de poemas que abre Ano Novo, segundo livro de poesia de Leila Danziger, reconhecida artista plástica, corresponde a um gesto repetido, o de desfazer. “Desfaço o apartamento -/ o quarto dos fundos/ ainda é a pátria (...)//ali fincaram-se mastros,/bandeiras incertas, trapos/da Europa.” A narrativa poética, que dialoga com um processo de criação também em artes plásticas, vai pouco a pouco liberando de seu limbo os objetos guardados no apartamento do pai recém<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3d5d6ce325624d61ba467669b93f53af.jpg"/>]]></description><dc:creator>Patrícia Lavelle</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/09/02/A-FOR%C3%87A-ENTRE-O-CHOQUE-E-A-DELICADEZA-resenha-Ano-Novo-Revista-Pessoa-27082017</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/09/02/A-FOR%C3%87A-ENTRE-O-CHOQUE-E-A-DELICADEZA-resenha-Ano-Novo-Revista-Pessoa-27082017</guid><pubDate>Sat, 02 Sep 2017 14:26:44 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3d5d6ce325624d61ba467669b93f53af.jpg"/><div>O ritmo intermitente da série de poemas que abre Ano Novo, segundo livro de poesia de Leila Danziger, reconhecida artista plástica, corresponde a um gesto repetido, o de desfazer. “Desfaço o apartamento -/ o quarto dos fundos/ ainda é a pátria (...)//ali fincaram-se mastros,/bandeiras incertas, trapos/da Europa.” A narrativa poética, que dialoga com um processo de criação também em artes plásticas, vai pouco a pouco liberando de seu limbo os objetos guardados no apartamento do pai recém falecido. Desfazendo, ela refaz lugares, espaços que são também linguísticos: “Recolho promessas de sua língua/da infância -/calcinações do solo perdido//e prospectos intactos na língua/renascida (alef-beit/incandescente)”.</div><div>Um desejo misterioso privilegia “apenas o que há de mais inútil” e estabelece novas hierarquias nas constelações de objetos, configurando um “outro lugar”, que é também um outro tempo (“tudo agora/embaralhado/extraviado/vivo/em algum outro lugar da casa”). Assim, aparecem duas tarefas: “transformar o apartamento em espaço baldio/revelar o daninho dos arquivos”. Desejo de buscar algo no passado, dele extrair sentidos, reconstruindo poeticamente a trajetória do pai, judeu alemão nascido em 1921 e naturalizado brasileiro? Um belíssimo poema responde negativamente a essa interrogação: “Reviro blocos de décadas/cuja integridade/se rompe ao meu contato//e entendo – //brinco de céu/e inferno/com os objetos//sou o Além/das coisas/remotas.”</div><div>O gesto poético que aqui desfaz e refaz conjuga verbos no presente. Essa fala não é a do passado mas a dos futuros longínquos que, empoeirados, esperam nos tesouros inúteis e suspensos no tempo. Entre os objetos arquivados, uma coleção de agendas jamais utilizadas é a própria imagem desse porvir que “somos nós/e já não somos”. Superpostas e costuradas (nunca coladas), elas dão origem a uma série de trabalhos plásticos com os quais os poemas dialogam e interagem: “Misturo minhas agendas/às suas extensões/de branco/sobre branco/e reservas de futuros/intactos/projetam-se”.</div><div>O futuro atravessa os entrecruzamentos temporais que a voz lírica coloca em cena e também costura (sem colar) as três séries temáticas que compõe o livro: “Economia”, “Ano Novo” e “Irene e Martha”. Confere assim ao volume uma unidade complexa, feita de sobreposições. Está presente no quarto onde a ausência momentânea do filho deixa traços, na foto das avós Irene e Marta, e de modo particularmente agudo na suspensão das decisões em vésperas de festas: “Entre Natal e Ano novo/entre Rosh Hashaná e Iom Kipur/não faça nada – /(...)//Encoste o ouvido/Na concha do mundo – /ouça em código/anúncios do futuro;/convites sonoros/que nos separam e reúnem – /fogos-funk-tambores-shofar.”</div><div>Diferentes passados permeados de futuros, que são também presentes, remetem a espaços e línguas que também se cruzam e tocam, produzindo pequenos choques delicados, como no poema Pão de açúcar, incluído na série intitulada Ano Novo, que tematiza encontros e desencontros amorosos: “Contemplo a paisagem pelo visor da sua câmara – /Mar Vermelho sobre Praia Vermelha;/Tel Aviv sobre Copacabana.//E mesmo disfarçado de alemão/ou americano, nenhuma língua é tão estrangeira/quanto a sua; nenhum tempo tão remoto/quanto o seu. Você é fenício? Egípcio/como Moisés?”</div><div>Em Ano Novo, esse tempo íntimo, afetivo, reenvia incessantemente a uma certa historicidade. As projeções subjetivas do desejo confrontam-se, a todo momento, com elementos sedimentados e coletivos – passagens permitidas pelo uso de jornais antigos, assim como pela própria presença do calendário, com suas festas e comemorações, nas agendas. Difícil não pensar em Walter Benjamin que, em seu comentário da poesia de Baudelaire, refere-se ao sentimento de exclusão do individuo moderno em relação à temporalidade coletiva da tradição, simbolizada no calendário. Radicalmente contemporânea, a poesia de Leila Danziger não busca restaurar o tempo coletivo da tradição ou resgatar a memoria de um passado. Situando-se além da crise que acompanha a modernidade, ela se inscreve nos interstícios entre o tempo do desejo e o da história. Ao colocar em cena esses hiatos e descontinuidades, Ano Novo encontra sua força de coisa futura, entre choque e delicadeza. </div><div><a href="https://revistapessoa.com/artigo/2375/a-forca-entre-o-choque-e-a-delicadeza">https://revistapessoa.com/artigo/2375/a-forca-entre-o-choque-e-a-delicadeza</a></div><div>Patrícia Lavelle</div><div>Professora do Departamento de Letras da PUC-Rio,</div><div>doutora em filosofia pela EHESS-Paris.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Yves Carreau: transmissões | CCJF, 14 jul a 27 ago, Rio de Janeiro</title><description><![CDATA[Joëlle Labiche | Leila Danziger | Sébastien Pons | Chloé Poizat | Gianpaolo Pagni | Catherine GilletA cada dia, de 1990 a 2000, ele desenhou uma forma arredondada, como um ninho. “Todas as manhãs de todos os dias – indiferente às condições, à vontade, ao lugar – realizar esse trabalho. Habitar a forma, datá-la e depois fechar o caderno, ganhar o dia." O éthos artístico comum aos artistas reunidos nesta exposição foi transmitido numa impressionante economia de palavras, pela potência de cada<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_1040b574211540128afe61f9548bdea8%7Emv2_d_1769_2477_s_2.jpg/v1/fill/w_492%2Ch_689/22d7b6_1040b574211540128afe61f9548bdea8%7Emv2_d_1769_2477_s_2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/07/12/Yves-Carreau-transmiss%C3%B5es-CCJF-14-jul-a-27-ago-Rio-de-Janeiro</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/07/12/Yves-Carreau-transmiss%C3%B5es-CCJF-14-jul-a-27-ago-Rio-de-Janeiro</guid><pubDate>Thu, 13 Jul 2017 02:06:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_1040b574211540128afe61f9548bdea8~mv2_d_1769_2477_s_2.jpg"/><div>Joëlle Labiche | Leila Danziger | Sébastien Pons | Chloé Poizat | Gianpaolo Pagni | Catherine Gillet</div><div>A cada dia, de 1990 a 2000, ele desenhou uma forma arredondada, como um ninho. “Todas as manhãs de todos os dias – indiferente às condições, à vontade, ao lugar – realizar esse trabalho. Habitar a forma, datá-la e depois fechar o caderno, ganhar o dia.&quot; O éthos artístico comum aos artistas reunidos nesta exposição foi transmitido numa impressionante economia de palavras, pela potência de cada gesto – meditativo e intenso, repetitivo e arriscado – de Yves Carreau. Mais do que argumentos e discursos, sua aposta como artista e professor implicava uma forma de contaminação, de persuasão silenciosa, de impregnação pelo embate com espaços, materiais, superfícies e signos, para que assim se fizesse a imagem, aquela parte do visível que nos exorta como exigência.</div><div>Esta exposição reúne seis artistas em torno de Yves Carreau; seis artistas, entre tantos outros, que foram marcados por seu ensino no ateliê La Table au Noir, do Institut d’Arts Visuels d’Orléans, onde ele lecionou de 1973 a 2005. Nossas passagens por esse lugar aconteceram em épocas diferentes, e nosso encontro a posteriori só foi possível pela profunda afinidade em torno das práticas gráficas e de edição. É no diálogo com a obra de Yves Carreau, portanto, que apresentamos um conjunto de gestos de inscrição que fizeram surgir desenhos, gravuras, fotografias, vídeos, objetos, cadernos e livros. Em sua origem, mesmo se de forma aparentemente remota, todas as obras aqui reunidas guardam o contato com a gravura, prática transmitida por ele no distanciamento de qualquer ortodoxia; a gravura, para Yves Carreau, era uma espécie de prisma, para ver, pensar e intensificar a experiência sensível de estar no mundo. Sua prática artística sempre foi anfíbia, implicando as artes visuais, a literatura e o pensamento; seus gestos construtivos foram, quase indiferentemente, os do desenhista e do caminhante, do escritor e do nadador.</div><div>Não me lembro se alguma vez falei de Oswaldo Goeldi a Yves Carreau, creio que não. Lamento não tê-lo feito. Faço-o agora, neste diálogo defasado, com a certeza de que ele apreciaria a obra de nosso gravador e desenhista tão admirado, artista das margens de nossa modernidade tropical. Carreau e Goeldi amavam os limites da cidade, seus restos, suas sombras. Associo os nomes desses dois artistas como meio de inscrever a passagem de Yves Carreau em nossa paisagem artística, em nossa paisagem urbana. Desde que comecei a pensar nesta exposição, vejo sua silhueta de andarilho ou monge caminhando desde as margens do rio Loire, seu habitat natural, até a baía de Guanabara, até o Aterro do Flamengo. Vejo-o atravessar a passarela em frente ao Museu de Arte Moderna e percorrer a Cinelândia, nosso antigo bairro de cinemas. Com curiosa familiaridade, ele observa o Theatro Municipal, olha distraído o monumento ao Marechal Floriano Peixoto. Num relance, pressente tantos embates de nossa República vividos naquela praça. Talvez intua também que toda aquela região esteve sob as águas do mar num tempo não muito distante. Tranquilamente, dirige-se à entrada do Centro Cultural da Justiça Federal, sobe suas escadas. No bolso da jaqueta preta, guarda algumas pedras e pequenos objetos recolhidos no caminho.</div><div>Leila Danziger</div><div>Rio de Janeiro, abril 2017</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_48d2f3c65a45495e8ccec0abd5b9ae92~mv2.jpg"/><div> Atelier Yves Carreau (photo: Sébastien Pons)</div><div>Chaque jour, de 1990 à 2000, il a dessiné une forme arrondie comme un nid. « Tous les matins de tous les jours, qu’importent les conditions, l’envie, le lieu, faire ce travail. Habiter la forme, la dater puis fermer le cahier, faire la journée… » L’ethos artistique qui nous réunit dans &gt; est commune à tous les artistes réunis pour cette exposition, a été &gt; fut transmise dans&gt;avec une certaine &gt; impressionnante économie de mots, par la puissance de chaque geste – méditatif et intense, répétitif et risqué – d’Yves Carreau. Au-delà des arguments et des discours, son pari comme artiste et professeur supposait une forme de contamination, de persuasion silencieuse, d’imprégnation par le contact avec les espaces, les matériaux, les surfaces et les signes, afin de faire surgir l’image, cette partie du visible qui nous exhorte comme une exigence.</div><div>Cette exposition présente six artistes rassemblés autour d’Yves Carreau, six artistes, parmi tant d’autres qui ont été marqués par son enseignement dans l’atelier « La Table au Noir », à l’Institut d’Arts Visuels d’Orléans, où il a été professeur de 1975 à 2005. Notre passage par ce lieu s’est fait par étapes successives à des époques différentes et notre rencontre a posteriori n’a été possible que grâce à une affinité profonde avec les pratiques graphiques et d’édition. C’est donc dans un dialogue avec l’œuvre d’Yves Carreau que nous présentons ici un ensemble de gestes d’inscriptions qui ont fait apparaître dessins, gravures, photographies, vidéos, objets, cahiers et livres. À l’origine, même avec avec distance, apparemment, toutes les œuvres présentées gardent le contact avec la gravure, pratique qu’il a transmise à l’écart de toute orthodoxie ; la gravure, pour Yves Carreau, n’était qu’un prisme, pour voir, penser et intensifier l’ expérience sensible d'être au monde. Sa pratique artistique a toujours été amphibie, impliquant les arts visuels, la littérature et la pensée ; ses gestes constructifs étaient presque indifféremment ceux du dessinateur et du marcheur, de l’écrivain et du nageur.</div><div>Je ne me souviens pas d’ avoir parlé d’Oswaldo Goeldi à Yves Carreau. Je ne crois pas l’avoir fait et je le regrette. Je le fais maintenant, dans ce dialogue décalé, avec la certitude qu’il aimerait l’œuvre de notre graveur et dessinateur si admiré, l’artiste des marges de notre modernité tropicale. Carreau et Goeldi aimaient tous les deux les bordures des villes, leurs restes, leurs ombres. J’associe les noms de ces deux artistes comme un des moyens d’inscrire le passage d’Yves Carreau dans notre paysage artistique, dans notre paysage urbain. Depuis que je pense à cette exposition, je vois sa silhouette de flâneur ou de moine marchant des berges de la Loire, son habitat naturel, jusqu’aux bords de la Baie de Guanabara, de l’Aterro do Flamengo. Je le vois traverser la passerelle en face du Musée d’Art Moderne, arpenter la Cinelândia, notre ancien quartier des cinémas ; il pose maintenant son regard avec une curieuse familiarité sur le Théâtre Municipal, observe distraitement le monument dédié au Maréchal Floriano Peixoto. En un coup d’œil, il ressent toutes les luttes que notre République a vécues sur cette place, il ressent aussi, peut-être, qu’il n’y a pas très longtemps encore, toute cette région était sous les eaux de la mer qui s’étendaient jusqu’ici. Tranquillement, il s’avance vers l’entrée du Centre Culturel de la Justice Fédérale dont il monte les marches. Dans la poche de sa veste noire, quelques cailloux et de menus objets recueillis sur son chemin.</div><div>L. D. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_20a6a977b293436ea80f61ff37b3b92a~mv2_d_1772_2363_s_2.jpg"/><div> Atelier Yves Carreau (photo: Sébastien Pons)</div><div><a href="http://lacagedelombreforte.com/-Atelier-">http://lacagedelombreforte.com/-Atelier-</a></div><div><a href="http://www10.trf2.jus.br/ccjf/portfolio/yves-carreau-transmissoes-artes-plasticas/">http://www10.trf2.jus.br/ccjf/portfolio/yves-carreau-transmissoes-artes-plasticas/</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Carlo, 20 de julho</title><description><![CDATA[pela manhã em minha porta sobre o carpete de entrada no caderno Mundo do jornal – o dia trágico e nublado de Carlo – o manifestante nascido em 1978 o carabineiro nascido em 1980 não deveriam se encontrar em dois disparos e no corpo- imagem caído à minha porta pela manhã do dia seguinte a 20 de julho ano 26 do assassinato de Pasolini naquela sexta-feira de verão Carlo deveria ter ido à praia não estivesse o dia nublado não estivessem oito dirigentes do mundo em Gênova e é ainda preciso responder<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_88f5fd130c8648de8aa628b48f5fc3a2%7Emv2_d_3508_2481_s_4_2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/06/21/Carlo-20-de-julho</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/06/21/Carlo-20-de-julho</guid><pubDate>Thu, 22 Jun 2017 01:36:52 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_88f5fd130c8648de8aa628b48f5fc3a2~mv2_d_3508_2481_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5979aecb362445d7ba0ccb157314b4f1~mv2_d_3508_2481_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_6585093041a745ec9f2b6df7b494a6d0~mv2_d_3508_2481_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5b1a701898ef4e30ae10dc63fe989be0~mv2_d_3508_2481_s_4_2.jpg"/><div>pela manhã em minha porta sobre o carpete de entrada no caderno Mundo do jornal  – <div>o dia trágico e nublado de Carlo</div> – o manifestante nascido em 1978 o carabineiro nascido em 1980 não deveriam se encontrar em dois disparos e no corpo- imagem caído à minha porta pela manhã do dia seguinte a 20 de julho ano 26 do assassinato de Pasolini naquela sexta-feira de verão Carlo deveria ter ido à praia não estivesse o dia nublado não estivessem oito dirigentes do mundo em Gênova e é ainda preciso responder à sombra daquela manhã projetada no carpete de entrada em minha porta por um policial armado um manifestante desarmado reunidos na imagem intolerável  – esta – do filho do sindicalista Giuliano Giuliani que assim não leria o poema inaugural do século vinte e um não veria os que saltaram das torres em chamas poucos meses depois daquele 20 de julho nublado serem fisgados  pela poesia de Wislawa Symborska e continuarem ainda agora suspensos salvos por instantesnos domínios da palavra<div>da imagem e do ar na esfera de lugares que acabam de se abrir</div></div><div>imagem 1 21 de julho de 2001 [2015] impressão jato de tinta montada sobre PVC e fitas adesivas com resíduos de jornal 25 x 40 cm imagem 2 Carlo Giuliano [2006] serigrafia, óleo de linhaça e intervençào manual sobre papel hahnemühle 20 x 30 cm imagem 3 Série Diários públicos/ para Carlo [2001] carimbo sobre jornal apagado 54 x 32 cm</div><div>Publicado em <a href="http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/concinnitas/issue/view/1525/showToc">Concinnitas</a>, Revista do Instituto de Artes da UERJ, v. 2, n. 29 (17), junho de 2017.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>três ensaios de fala | poesia | instagram</title><description><![CDATA["É intensamente perceptível o trabalho de Leila Danziger com a palavra e com seus suportes midiáticos, como jornais, revistas, agendas, cadernetas e o objeto livro tal como o conhecemos. Nessa expansão da palavra para o campo das artes plásticas, Leila resgata a estética do palimpsesto, na qual a inscrição e a presença são rastros para o apagamento e para a dissolução. Exemplificam bem isso as séries "para-ninguém-e-nada-estar" (2008-2010) e "resistir-por-ninguém-e-por-nada" (2002-2013). Além<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_32807fc18b914d909c17aebdd55eda11%7Emv2.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_598/22d7b6_32807fc18b914d909c17aebdd55eda11%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>meninolivro</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/05/07/tr%C3%AAs-ensaios-de-fala-poesia-instagram</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/05/07/tr%C3%AAs-ensaios-de-fala-poesia-instagram</guid><pubDate>Sun, 07 May 2017 22:34:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_32807fc18b914d909c17aebdd55eda11~mv2.jpg"/><div>&quot;É intensamente perceptível o trabalho de Leila Danziger com a palavra e com seus suportes midiáticos, como jornais, revistas, agendas, cadernetas e o objeto livro tal como o conhecemos. Nessa expansão da palavra para o campo das artes plásticas, Leila resgata a estética do palimpsesto, na qual a inscrição e a presença são rastros para o apagamento e para a dissolução. Exemplificam bem isso as séries &quot;para-ninguém-e-nada-estar&quot; (2008-2010) e &quot;resistir-por-ninguém-e-por-nada&quot; (2002-2013). Além disso, a memória judaica é outro campo de trabalho artístico e afetivo na obra de Leila Danziger. Sua publicação literária mais recente, Ano Novo - que dialoga com a exposição série &quot;todos os dias de nossas vidas&quot; (2013-2014), é fruto do contato com os diversos arquivos que seu (falecido em 31 de dezembro de 2011) acumulou em gavetas durante décadas - alguns com mensagens em hebraico, outros tantos em branco.&quot; </div><div>meninolivro <a href="https://www.instagram.com/p/BR03fKvBEVF/">https://www.instagram.com/p/BR03fKvBEVF/</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Encontro Puc-Rio</title><description><![CDATA[<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_206054d45b264a96ad277137337853e7%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Carlito Azevedo | Leila Danziger | Paulo Henriques Britto | Patrícia Lavelle</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/05/01/Encontro-Puc-Rio</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/05/01/Encontro-Puc-Rio</guid><pubDate>Mon, 01 May 2017 22:09:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_206054d45b264a96ad277137337853e7~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Escritas insignificantes | Centro de Artes da UFF | 6 abril a 14 maio</title><description><![CDATA[A que murmuraperdeu a língua maternae um continenteLeïla Danziger, Ano NovoEm De vulgari eloquentia, Dante afirma que, à exceção da língua criada por Deus (ao mesmo tempo que o primeiro homem), cada uma de nossas línguas foi reconstituída segundo nossa disposição para a confusão, “que não era nada mais do que o esquecimento da língua anterior”. Sendo o homem um animal variável e mutável, diz que nossas línguas não podem ter qualquer duração ou continuidade. E que, assim como nossos hábitos e<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_f97d1d02de0a455bb7ba7a2ddb314b64%7Emv2.jpg/v1/fill/w_642%2Ch_571/22d7b6_f97d1d02de0a455bb7ba7a2ddb314b64%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/04/03/Escritas-insignificantes-Centro-de-Artes-da-UFF-6-abril-a-14-maio</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/04/03/Escritas-insignificantes-Centro-de-Artes-da-UFF-6-abril-a-14-maio</guid><pubDate>Mon, 03 Apr 2017 21:40:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_f97d1d02de0a455bb7ba7a2ddb314b64~mv2.jpg"/><div>A que murmura</div><div>perdeu a língua materna</div><div>e um continente</div><div>Leïla Danziger, Ano Novo</div><div>Em De vulgari eloquentia, Dante afirma que, à exceção da língua criada por Deus (ao mesmo tempo que o primeiro homem), cada uma de nossas línguas foi reconstituída segundo nossa disposição para a confusão, “que não era nada mais do que o esquecimento da língua anterior”. Sendo o homem um animal variável e mutável, diz que nossas línguas não podem ter qualquer duração ou continuidade. E que, assim como nossos hábitos e costumes, “nossas línguas devem necessariamente variar no que diz respeito ao espaço e ao tempo”. </div><div>Também no trabalho de Leïla a confusão babélica é deflagrada pelo esquecimento da língua anterior. “O que desaparece, o que resiste”, um dos vídeos da sua série com jornais, projetado logo na entrada da Galeria, e que de certo modo pauta o ritmo do percurso expositivo, coloca frontalmente essa questão. O gesto - embora violento - de dilacerar os jornais, não é destrutivo. O que ele opera é um arresto da linguagem perecível dos noticiários, na tentativa de achar (“oh tu cavas e eu cavo, cavo-me para chegar a ti”) uma carnadura poética. </div><div>Como a própria Leïla diz num texto intitulado justamente O Jornal e o Esquecimento: “Os jornais traduzem a falácia de um tempo linear, vazio e homogêneo; tão logo surgem, acumulam-se numa massa de esquecimento, transformam-se em dejetos da atualidade.” No caso do trabalho exposto aqui, é relevante considerar que os jornais apagados são israelenses, impressos na época da Primavera Árabe (a série de movimentos de resistência civil em países do Oriente Médio e Norte da África, eclodida em dezembro de 2011). </div><div>As atrocidades, tão logo noticiadas, perdem seu efeito de espetáculo. A atrofia da experiência humana, apontada por Walter Benjamin, pode ser compreendida na velocidade com que as notícias do desastre babélico (“nossa disposição para a confusão”, como escreveu Dante)se tornam ultrapassadas, se tornam banais. O apagamento dos jornais não é uma simples denúncia de um efeito. Não é um panfleto, uma nostalgia da lentidão. É a busca por criar um espaço intersticial onde as palavras noticiadas continuem existindo (o fundo arrancado ainda é o fundo), mas onde o papel, a pura materialidade do papel se transforme na escrita daquilo que o repórter cala. </div><div>A língua criada para resistir ao desaparecimento, para resistir à nossa falta de memória, para resistir a si mesma, é a língua da boca que não diz (senão aquilo que não pode dizer): “A que murmura / perdeu a língua materna / e um continente”. </div><div>A potência, a beleza do trabalho da Leïla consiste na forma sofisticada de propor a sobrevivência da poesia. Aqui torna-se clara a falta de fronteiras entre o poema e a imagem. Há uma arrebatadora sinergia entre as palavras e os objetos, no seu trabalho (a insistência em resistir ao desaparecimento, ao esquecimento). Entretanto, a língua de Leïla não precisa de palavras. No caso das (em) obras expostas aqui, é o papel que (des)escreve a escrita. As agendas em branco do pai ausente dizem Todos os dias de nossas vidas. A sua língua, a língua da poesia, é (para usar uma expressão de Daniel Heller-Roazen, em “Ecolalias: sobre o esquecimento das línguas”), um ser que sobrevive a si próprio.&quot;</div><div>Marcelo Reis de Mello</div><div>Ver o projeto</div><div><a href="https://www.graphs.com.br/">Escritas insignificantes | Insignificant writings</a></div><div>THE GRAPHS PROJECT</div><div>The Graphs Project gathers relevant stuff (pictures, essays, interviews) about experiences situated on the border between the graphical, pictorial and scriptural, from the Paleolithic to the 21st century. This exchange between artists, writers and researchers becomes an international dossier on the subject matter.</div><div>Curators: Marcelo Reis de Mello and Khalil Andreozzi.</div><div><a href="https://www.graphs.com.br/leila-danziger">https://www.graphs.com.br/leila-danziger</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Arte e Trauma | Goethe Institut SP</title><description><![CDATA[“A leitura da ditadura brasileira se faz na mais absoluta impunidade. Pode-se dizer que restou praticamente tudo do período da ditadura militar no Brasil, exceto a própria ditadura", pontua a artista Leila Danziger, citando o psicanalista Tales Ab'saber. Ela aborda em sua obra "a violência da informação" e ao longo de vários anos desenvolveu uma série de trabalhos em que apaga boa parte das informações nas páginas de jornais, deixando apenas o que considera resistente ao esquecimento, debatendo<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_a09b75cf8c3648a0b37c26b80a18100f%7Emv2.jpg/v1/fill/w_642%2Ch_800/22d7b6_a09b75cf8c3648a0b37c26b80a18100f%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/12/16/Arte-e-Trauma-Goethe-Institut-SP</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/12/16/Arte-e-Trauma-Goethe-Institut-SP</guid><pubDate>Fri, 16 Dec 2016 21:21:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_a09b75cf8c3648a0b37c26b80a18100f~mv2.jpg"/><div>“A leitura da ditadura brasileira se faz na mais absoluta impunidade. Pode-se dizer que restou praticamente tudo do período da ditadura militar no Brasil, exceto a própria ditadura&quot;, pontua a artista Leila Danziger, citando o psicanalista Tales Ab'saber. Ela aborda em sua obra &quot;a violência da informação&quot; e ao longo de vários anos desenvolveu uma série de trabalhos em que apaga boa parte das informações nas páginas de jornais, deixando apenas o que considera resistente ao esquecimento, debatendo assim a ação da leitura desta mídia informativa e seus respectivos ruídos”.</div><div><a href="https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/mag/20880092.html">Arte e Trauma | Márcio Seligmann-Silva | Goethe Insitut São Paulo</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Lançamento &quot;Ano novo&quot; | 17/12/2016 | Travessa de Botafogo</title><description><![CDATA[<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_2f49e20da7b34ffb9e183fdd866d4949%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/01/14/Lan%C3%A7amento-Ano-novo-17122016-Travessa-de-Botafogo</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2017/01/14/Lan%C3%A7amento-Ano-novo-17122016-Travessa-de-Botafogo</guid><pubDate>Sat, 10 Dec 2016 19:40:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_2f49e20da7b34ffb9e183fdd866d4949~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Somos todos Clarice | Galeria do Lago | Museu da República</title><description><![CDATA[Curadoria: Isabel Sanson Portella<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4a04e90beedb4b95ae3dc4bebfd21f05%7Emv2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/12/09/Somos-todos-Clarice-Galeria-do-Lago-Museu-da-Rep%C3%BAblica</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/12/09/Somos-todos-Clarice-Galeria-do-Lago-Museu-da-Rep%C3%BAblica</guid><pubDate>Fri, 09 Dec 2016 21:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Curadoria: Isabel Sanson Portella</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_4a04e90beedb4b95ae3dc4bebfd21f05~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>O mundo substantivo de Leila Danziger: poesia e afeto | Gustavo Silveira Ribeiro</title><description><![CDATA[1. A incomensurável tristeza do que existe: talvez esse seja o verso com que se deva começar a ler a poesia da artista carioca Leila Danziger. Nele se concentram alguns dos procedimentos formais mais caros à autora, e também nele se pode surpreender o passo em que ética e estética se tocam e se confundem no seu trabalho. Em primeiro lugar, o plano da linguagem e do sensível: as palavras que aqui se lêem são parte do poema “Minima Moralia” e acenam, como o uso do itálico (e o próprio título do<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_33f62fc7bf044ee2ac922c4420adaf67.jpg/v1/fill/w_492%2Ch_638/22d7b6_33f62fc7bf044ee2ac922c4420adaf67.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/09/11/O-mundo-substantivo-de-Leila-Danziger-poesia-e-afeto</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/09/11/O-mundo-substantivo-de-Leila-Danziger-poesia-e-afeto</guid><pubDate>Sun, 11 Sep 2016 19:49:49 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_33f62fc7bf044ee2ac922c4420adaf67.jpg"/><div>1. A incomensurável tristeza do que existe: talvez esse seja o verso com que se deva começar a ler a poesia da artista carioca Leila Danziger. Nele se concentram alguns dos procedimentos formais mais caros à autora, e também nele se pode surpreender o passo em que ética e estética se tocam e se confundem no seu trabalho. Em primeiro lugar, o plano da linguagem e do sensível: as palavras que aqui se lêem são parte do poema “Minima Moralia” e acenam, como o uso do itálico (e o próprio título do poema) vão sugerir, para fora, para um outro texto e para uma outra voz. Foram escritas pelo filósofo Theodor W. Adorno, e no texto de Danziger vão deslocadas, expropriadas, habitando um corpo – e um universo de sentidos – que é e não é propriamente seu. Não há metáforas aqui: quase que despida de imagens, a linguagem evoca e descreve. A beleza discreta da sentença, sua força e permanência vêm da harmonia sutil que a atravessa: a construção do pensamento se dá também na observância das tonalidades, das estruturas sonoras e da reiteração de um mesmo arranjo consonantal. O lamento que dele emana nasce, antes de tudo, da sua força poética. E é a partir dessa perspectiva de encantamento e cuidado que vai crescer e se impor o sentido fundamental do verso, tal como ele se apresenta, capturado, pela autora: mais do que descrever ou enunciar um afeto que se espalha, o que se coloca tem a ver com a atenção (isto é, com espera e abertura): a poeta, assim como o filósofo, parecem dizer da profunda atenção que dedicam ao mundo, do olhar interessado que lançam sobre seres e coisas, percebendo neles, principalmente nas frestas e cenas e vidas menores (vida danificada, dirá Adorno), a tristeza que as constitui. Em poemas como “Uma mulher transparente” e “Fato bruto”, textos iniciais da coletânea que também acolhe o poema antes referido, a perspectiva é essa: Danziger observa ao redor, colhendo na rua ou nas páginas secundárias do jornal a massa viva e dolorosa com que forma seus versos: no abandono de uma mulher enlouquecida na cidade, seu corpo envolto em trapos e sujeira [“ela é feita pela subtração de matéria” (DANZIGER, 2012, p. 9)], digna ainda assim na sua posição frágil; na fotografia e na notícia banalizada da morte de uma baleia em plena praia, seu ser imenso encalhado, apodrecendo ao ar livre [“A baleia pedia crônicas de espanto/mas nem as ondas revoltam-se –/não há assombro por sua carne inerte” (DANZIGER, 2012, p. 11)]. Em ambos os casos, o gesto da escrita se faz a partir da comoção: da identificação impossível com aquela mulher apagada, que num certo sentido é uma projeção da artista, da recolha de si e acolhimento do outro (sua voz, sua presença) que caracteriza tantos de seus poemas e instalações; do gesto lutuoso, ativo, do desejo de “fazer um túmulo digno” para o animal, um mamífero de linguagem e afetos complexos, “que conhece as águas e as cinzas” (DANZIGER, 2012, p. 11), substâncias sagradas para a vida e para a memória. A palavra-pensante, que apresenta, narra ou reflete, é o centro do universo criativo e sentimental da autora que, de pé sobre a língua, sabe “escavar e manobrar/os versos” (DANZIGER, 2012, p. 15) sem deixar de imprimir neles as marcas de uma muito pessoal ética da representação: “a linguagem informativa/acumulada em pilhas/que era preciso desfazer/esvaziar/apagar/erodir a matéria-jornal/turvá-la de poesia” (DANZIGER, 2012, p. 16). Todos esses elementos, tudo o que se destacou (ou derivou) de Minima Moralia (livro e poema, de dupla autoria) – a escrita que se faz como recorte e apropriação, a construção delicada e cuidadosa da frase (o ouvido atento à sua música mínima), a composição pura empatia e afeto – são traços marcantes da poesia da autora, procedimentos comuns nos textos que formam Três ensaios de fala (DANZIGER, 2012), seu primeiro e ainda pouco conhecido livro de poemas.</div><div>2. Eu sou o Arquivo: assim se apresenta pelo menos uma vez a autora, criação e criadora da ficção suprema que atravessa os seus poemas. E onde se lê arquivo, seria possível ler também Passado ou Memória, ainda que os termos e conceitos não sejam coincidentes. Há na poesia de Leila Danziger um profundo interesse pelo tempo, sua força paradoxal, igualmente derrisória e construtiva. Diante do tempo é que a poeta vai afirmar a si como Arquivo, como depositária dos fragmentos e dos restos da existência comum, guardiã dos documentos que dão conta de um mundo em extinção. Atravessada por nomes próprios, datas, toponímias e topografias precisas, a poesia da artista incorpora a si – obedecendo a uma pulsão arquivística e a uma curiosidade próxima à do antiquário – tênues evidências materiais, vestígios mesmo do tempo, de sua passagem, de vários e múltiplos tempos que se entrelaçam e cruzam formando uma rede intrincada de referências privadas e sociais, íntimas e públicas. Em “Berlin, Zoo”, por exemplo, o desejo pelo rastro faz com que o poema ocupe o lugar da peça de memória que falta: “Pisam juntos o mesmo cascalho//E como não há foto alguma desse encontro/reúno-os/aqui/meu filho, aos quatro anos, e seu pai” (DANZIGER, 2012, p. 28). A larga presença nos textos de jornais, fotografias, vídeos e materiais impressos não será gratuita: eles assinalam, pela periodicidade e pelas inscrições que contém, a concretude dos dias e anos que se sucedem, acumulados pela casa em pilhas, desgastando-se diante dos olhos da artista. São tema, objeto, anteparo e moldura para os poemas, bem como para inúmeras intervenções artísticas, das quais a série Vanitas talvez seja a mais conhecida: os periódicos rasurados, a escrita em palimpsesto desenterrando palavras e imagens, produzindo novas perspectivas para aquilo que antes era apenas linguagem esvaziada. Num caso como no outro, isto é, nos poemas e nas artes plásticas – formas que estabelecem entre si zonas solidariedade e contágio – o processo mesmo de envelhecimento e transformação da matéria, o acúmulo dos objetos e dos acontecimentos, participa da lógica da criação: “Retiro o elástico que une os cartões/entregues assim/à mesa/em dispersão//e leio – /o delicado trabalho do mofo/que avança decidido pelas laterais” (DANZIGER, 2012, p. 34; grifo meu). A papelada inútil, mas reveladora, que a vida e a burocracia reúnem é também convite à invenção: “Eu percorro as trilhas/por entre bricabraques imprescindíveis/– todos os recibos de nossas vidas/tantas agendas em branco” (DANZIGER, 2012, p. 32). Se as instalações e quadros vão deslocando, escavando os indícios do dia até torna-los superfícies quase brancas, nas quais se pode novamente escrever, os poemas vão tratar de informar esse trabalho, pensa-lo longamente, contrasta-lo com outros modos de, ao mesmo tempo, reter e esquecer o mundo, guardando de mistura o supérfluo e o essencial, sem saber de fato onde começa um e termina o outro: “Eu sou a membrana que os une/– nomes, crianças, vozes, areia./Filmo de modo tão compulsivo/quanto as crianças escavam./Estamos juntos no desejo de transferir matéria/: areia sobre areia/: imagem sobre imagem” (DANZIGER, 2012, p. 63). Ainda que muitas vezes amparada no presente, o vetor da imaginação artística de Leila Danziger aponta sempre para trás: as lembranças familiares e pessoais, os rastros materiais e simbólicos da presença viva daqueles que se foram, a historicidade de gestos e paisagens, a ação mesma do tempo, enfim, sobre os seres e as coisas: tudo converge para o passado, para estratégias que se apresentam para enfrenta-lo. Ora a memória, selecionado, deformando, dando significados distintos à vida, forjando a identidade e os liames que mantém a artista atada ao mundo. Ora o arquivo, essa compulsão voraz, desejo impossível e melancólico de preservar intacta a passagem dos corpos (quaisquer que sejam eles) pela fricção contínua da existência. Seja como for, a autora traz nos ombros enorme responsabilidade: suas criações vão responder sempre, pela linguagem e a partir do afeto, à constatação que aparece no poema dedicado a Robert Smithson: “E isso, ao menos, todos temos em comum/– entropia e nenhum sentido” (DANZIGER, 2012, p. 22). Absurdos, fadados inexoravelmente à destruição e ao apagamento, ainda assim, ou por isso mesmo, enterramos nossos mortos, inventamos a beleza, fazemos da língua perplexidade e sobrevivência.</div><div>3. como o desejo e a distância: a poesia de Leila Danziger nos fala assim, de longe e sempre em demanda, buscando modos de aproximação. Os muitos diálogos que estabelece, as muitas formas de endereçamento que a atravessam e constituem são prova disso, do modo como a poesia se equilibra entre a distância e o desejo. Para dizer com Blanchot (2002), ela quer e procura acolher em seus textos une voix venue d’ailleurs, construindo, para isso, um espaço de escrita que é também espaço da reflexão crítica, da citação e da alteridade – em todos esses elementos, desnecessário lembrar, é preciso que haja distanciamento, saída de si. Para dizer de uma só vez e de modo sintético: a poesia de Danziger procura dizer(-se) com palavras alheias. E vai nisso a percepção de um paradoxo: profundamente íntima e pessoal, de fato uma poesia cujo território incontornável é a biografia e a subjetividade, a criação verbal para a artista é permanentemente invadida por vozes, imagens e sons outros, vindos de outros lugares, elementos que apontam e vão confirmar, ainda uma vez, a absoluta estrangeiridade que perfaz o ato da escrita, qualquer escrita – a do poema em particular. E, consideradas as coisas sob esse ângulo, tornam-se mais claras, ganham outro sentido para além da notação estritamente pessoal, as referências que os poemas fazem a viagens, terras distantes, continentes e idiomas diversos: tudo vai revelar, em última instância, a importância do trânsito e dos deslocamentos em Três ensaios de fala, elementos que perpassam, de muitas maneiras, a construção do livro. A cada momento, é possível notar, a mesma questão reaparece sob roupagem e sentido diverso, tornando evidentes as “marcas de difíceis negociações/entre o dentro e o fora” (DANZIGER, 2012, p. 41; grifo meu). Na multiplicidade de línguas que habitam o texto (o hebraico, o alemão, o inglês e o francês), sua feição de Babel discreta, a linguagem salta e explode a sua órbita, revelando-se também obstáculo à comunicação. Na memória das viagens a Alemanha e a Israel, lugares de origem e pertencimento familiar e comunitário, o ambiente é estranho, guardando sempre um travo de desconhecimento e dúvida. E mesmo nos périplos urbanos pelo Rio de Janeiro e por Tel Aviv, territórios domados, a memória e a imaginação às vezes criam percursos inesperados, percepções que desfamiliarizam a paisagem e inundam-na de tempos e lugares outros, sobrepostos, como ocorre em poemas como “Cinelândia – Cantagalo” e o “Brasília”. A própria trama de referências literárias, artísticas e culturais, a costura de textos que compõe o volume, sai do controle em certos momentos, deixando de ser apenas leitura apaixonada da obra de nomes como Robert Smithson, Joseph Beuys ou Jacques Roubaud, passando a ser conversa em desafio, endereçamento afetivo que descobre fissuras e devolve contradições, como no poema “Joseph”, no qual apresenta suas divergências com o avô de seu filho (que também tem o nome do artista a quem a poeta está indissoluvelmente ligada: ao passo que ele conhecia minúcias da cidade europeia onde nasceu, das águas que a banhavam, Danziger afirma: “eu me interesso mais/pelas impurezas do Danúbio/pelas cheias do dilúvio/e experimento uma extensa gama/de afetos insolúveis/pelas gerações/– de humanos e bichos – engendradas desde Noé” (DANZIGER, 2012, p. 18). Em cada um desses aspectos do problema, o não-pertencimento e a busca de asserção, a passagem difícil entre o que é externo e o que é interior, enfim, conferem tensão e intensidade aos versos da poeta, fazendo-os trepidar por debaixo do tom menor, da aparente harmonia que os caracterizam. Exemplo talvez radical e mais significativo desse processo vai se encontrar na focalização que os poemas fazem, em chave metalinguística e metapoética, da própria linguagem em que são compostos. Em textos como “Aventurado”, “Três ensaios de fala” e, principalmente, “Eu te amo”, Danziger vai pensar sobre os mistérios que habitam a fala, suas potencialidades gregárias e estéticas, bem como seus abismos. No poema em tela, a confissão amorosa é o limite possível da linguagem e da comunicação, o ponto exato da tensão entre o desejo e a distância, uma vez que endereçamento que a locução do título carrega dirige-se sempre a um outro, alguém que pode não suportar sobre si o peso do amor revelado. Daí o tremor, a língua claudicante: “A palavra gagueja na travessia de um perigo”. Daí a angústia (o peito estreitado que vai perdendo o fôlego) no gesto da fala que, apesar de tudo, se completa: “Cada palavra/– contraída/expandida –/sabe que o risco/é parte integrante do ritmo/e gaguejar é a consciência extrema do risco da fala/do risco do afeto da fala” (DANZIGER, 2012, p. 54). O sentido da composição poética em Leila Danziger se deixa ver aqui, quem sabe: apesar dos perigos da língua [ferid’alíngua, conforme Lucíola Macêdo (2014)], a artista “sustenta a voz/e ergue a frase no ar” (DANZIGER, 2012, p. 54), construindo os seus precários monumentos verbais como um ato necessário de entrega, um salto no desconhecido de si e do mundo. </div><div><a href="https://espantalhosdesamparados.wordpress.com/">[Gustavo Silveira Ribeiro]</a></div><div><a href="http://www.lunaparque.com.br/">[Luna Parque]</a></div><div>Referências</div><div>ADORNO, Theodor. Mínima Moralia (Azougue, 2008)</div><div>BLANCHOT, Maurice. Une voix venue d’ailleurs (Gallimard, 2002)</div><div>DANZIGER, Leila. Três ensaios de fala (7Letras, 2012)</div><div>MACÊDO, Lucíola. Ferid’alíngua: a poética de Leila Danziger (Arquivo Maaravi, 2014) </div></div>]]></content:encoded></item><item><title>ComPosições políticas: outras histórias do Rio de Janeiro</title><description><![CDATA[“Nós, Geo Abreu, Eduardo Bonito, Hevelin Costa, Leila Danziger, Lívia Diniz, Guga Ferraz, Marisa Flórido, Isabel Ferreira, Aleta Valente, Naldinho Lourenço, Gê Vasconcelos, Davi Marcos, Josinaldo Medeiros, Wagner Novais e Rafucko participamos em março de 2016 da residência ComPosições Políticas no Bela Maré. Somos um grupo heterogêneo vindo de percursos e contextos diversos (Bangu, Cidade de Deus, Copacabana, Estácio, Grajaú, Maré, Rio Comprido e Santa Teresa) que, ao longo de quatro semanas,<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_ef65521dcb024d3bbb1d844dd5f60005.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/04/02/ComPosi%C3%A7%C3%B5es-pol%C3%ADticas-outras-hist%C3%B3rias-do-Rio-de-Janeiro</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/04/02/ComPosi%C3%A7%C3%B5es-pol%C3%ADticas-outras-hist%C3%B3rias-do-Rio-de-Janeiro</guid><pubDate>Sat, 02 Apr 2016 21:02:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_ef65521dcb024d3bbb1d844dd5f60005.jpg"/><div>“Nós, Geo Abreu, Eduardo Bonito, Hevelin Costa, Leila Danziger, Lívia Diniz, Guga Ferraz, Marisa Flórido, Isabel Ferreira, Aleta Valente, Naldinho Lourenço, Gê Vasconcelos, Davi Marcos, Josinaldo Medeiros, Wagner Novais e Rafucko participamos em março de 2016 da residência ComPosições Políticas no Bela Maré.</div><div>Somos um grupo heterogêneo vindo de percursos e contextos diversos (Bangu, Cidade de Deus, Copacabana, Estácio, Grajaú, Maré, Rio Comprido e Santa Teresa) que, ao longo de quatro semanas, compartilhou processos, trabalhos, vivências e moradia na Maré. Durante esse tempo, nos debruçamos sobre questões como o direito à imagem, a memória coletiva ou a representação do horror, e nos deixamos atravessar pela potência sociocultural e afetiva de um território que, como tantos outros da cidade, continuam submetidos ao estado de exceção. Estas são algumas das composições que surgiram do nosso encontro, algumas já acabadas, outras ainda imersas num processo que continuará aberto e mutável até a finalização da exposição no dia 21 de maio.</div><div>ComPosições Politicas é uma tentativa de construir coletivamente a memória visual das outras histórias do Rio dos megaeventos, a partir da reinterpretação de imagens de acontecimentos recentes extraídas da mídia que causaram impacto no nosso imaginário. Em práticas recentes, a arte busca interferir nos mecanismos de visibilidade e invisibilidade midiática. Tornar “visível” seria portanto garantir lugar e voz na esfera pública.</div><div>Nestes tempos em que as grandes mídias atuam como porta-voz do poder e não como fiscais de seus abusos, como ecoar a voz dos que não podem falar por estarem mortos, dos que temem represálias, dos que se sentem impotentes para relatar seu sofrimento? Nesta cidade, somos continuamente expostos a imagens que não conseguimos digerir. Como evitar o distanciamento produzido pela proliferação de atrocidades num contexto de saturação imagética? Como pensar o testemunho dos acontecimentos traumáticos cotidianos? Como evitar a distância desativadora que sucumbe, com frequência, à tentação de converter o horror em espetáculo? Entre nossa capacidade de imaginar outros possíveis e as mídias (que dela se apropriam), como restituir a cada imagem sua força intempestiva, fazê-la uma cintilação que interrompa as opressões e os sequestros de desejos e potências? Imagem-sonho-resistência que ofereça outros horizontes além daquele da ofuscante luz da sociedade do espetáculo e da escuridão dos estados totalitários de morte e exclusão. Imagem que resgate as memórias e nos prometa outros mundos por vir.</div><div>Diante de cada imagem, é preciso perceber o que foi preterido, silenciado, derrotado. Diante de cada imagem que toma posição, há histórias por contar.”</div><div>Foto do convite: Gê Vasconcelos</div><div><a href="http://www.composicoespoliticas.com/#!blog/c9ixp">ComPosições Políticas : outras histórias do Rio de Janeiro</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Sunday's screening #14 | Galerie Dix9 | Paris</title><description><![CDATA[Dans son travail sur la mémoire, l'oubli, la disparition, Leila Danziger utilise souvent le journal et ses pages comme support. Ici, par l'emploi de la bande adhésive, les textes et les images des pages s'effacent, se recouvrent et révèlent l'éphèmère. La vidéo traduit un des thèmes de prédilection de l’artiste sur l’éphémère. Créée lors d’une résidence en Israël pendant le Printemps arabe, cette vidéo projette des feuilles de journaux locaux qui s’effacent les unes après les autres. Leila<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_0e13892a4764476a8e84e1710c7d500d.jpg/v1/fill/w_656%2Ch_492/22d7b6_0e13892a4764476a8e84e1710c7d500d.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/05/02/Sundays-screening-14-Galerie-Dix9-Paris</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/05/02/Sundays-screening-14-Galerie-Dix9-Paris</guid><pubDate>Sat, 19 Mar 2016 18:21:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_0e13892a4764476a8e84e1710c7d500d.jpg"/><div>Dans son travail sur la mémoire, l'oubli, la disparition, Leila Danziger utilise souvent le journal et ses pages comme support. Ici, par l'emploi de la bande adhésive, les textes et les images des pages s'effacent, se recouvrent et révèlent l'éphèmère.</div><div>La vidéo traduit un des thèmes de prédilection de l’artiste sur l’éphémère. Créée lors d’une résidence en Israël pendant le Printemps arabe, cette vidéo projette des feuilles de journaux locaux qui s’effacent les unes après les autres. Leila Danziger (née à Rio de Janeiro) aborde le temps en tant que matière plastique. A travers archives, registres, livres, journaux, l’artiste met en évidence la précarité des choses.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>MÉMOIRES DE LIVRES</title><description><![CDATA[Marie Aerts, Sheila Concari, Leila Danziger, Anne Deguelle, Mehdi-Georges Lahlou, Nemanja Nikolic, Sophia Pompéry, Paula de Solminihac Galerie Dix9 Hélène Lacharmoise19 rue des Filles du Calvaire, Paris 3ème12.03 - 09.04 Objet culturel lié à l'histoire humaine, le livre est pour son lecteur une extension de la mémoire et de l'imagination. Support du texte et de l'écriture, il reste un élément vivant de la civilisation que même la révolution numérique ne saurait totalement éradiquer. Le Livre<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c339a7917ace487e9a46215a5f466a37.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/03/16/M%C3%A9moires-de-livres</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/03/16/M%C3%A9moires-de-livres</guid><pubDate>Thu, 17 Mar 2016 02:37:19 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Marie Aerts, Sheila Concari, Leila Danziger, Anne Deguelle, Mehdi-Georges Lahlou, Nemanja Nikolic, Sophia Pompéry, Paula de Solminihac</div><div><a href="http://www.galeriedix9.com/fr/expositions/presentation/109/memoires-de-livre">Galerie Dix9 Hélène Lacharmoise</a></div><div>19 rue des Filles du Calvaire, Paris 3ème</div><div>12.03 - 09.04</div><div>Objet culturel lié à l'histoire humaine, le livre est pour son lecteur une extension de la mémoire et de l'imagination. Support du texte et de l'écriture, il reste un élément vivant de la civilisation que même la révolution numérique ne saurait totalement éradiquer. Le Livre avec un grand « l » est ainsi le fondement des grandes religions monothéistes (La Bible ou Le Coran) tout comme il est devenu celui de certains régimes politiques (tel le Petit livre rouge de Mao). Par extension le livre peut s'entendre du journal intime, carnet de notes, livre de bord, voire du simple journal d'actualités. Il n'est pas étonnant dès lors que nombre d'artistes se soient approprié le livre sous les formes les plus diverses. Sans même parler du livre d'artiste dont la force d'expression revêt de multiples propositions esthétiques, le livre et ses pages deviennent matière à penser, qu'il s'agisse de l'objet livre ou du livre support de sens et de message.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c339a7917ace487e9a46215a5f466a37.jpg"/><div>What vanishes, what resists,video (couleur, som), 7 minutes.</div><div>Édtion: 9 copies + 1 épreuve d’artiste, 2011</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_de049c3024ce4e3da1c77a4b2be14314.jpg"/><div>Para-ninguém-e-nada-estar#1. | Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien#1. </div><div>Tampom sur jornal effacé, reliure, couverture en tissu rouge, 42 pages + pages de garde, 57 x 65 cm (ouvert), 2010. </div></div>]]></content:encoded></item><item><title>IMAGE / TEXTE, UN PARADIGME</title><description><![CDATA[« Dessiner c’est poser, tracer, graver et donc inscrire et révéler mais c’est en même temps recouvrir, et recouvrir c’est cacher, oblitérer, effacer. Leila Danziger, dans sa pratique décolle le papier du papier. Elle parvient à enlever de la surfasse de feuilles de papier journal les mots écrit en laissant le papier néanmoins « intact », entendons sans déchirure après l’opération. Et l’on voit pourtant la trace des mots devenus illisibles, et l’on voit aussi une image laissée, elle, telle<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_68185127dccd4eb2898ae5feadd475e5.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/03/16/Imagetexte-un-paradigme</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/03/16/Imagetexte-un-paradigme</guid><pubDate>Wed, 16 Mar 2016 16:57:30 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>« Dessiner c’est poser, tracer, graver et donc inscrire et révéler mais c’est en même temps recouvrir, et recouvrir c’est cacher, oblitérer, effacer. Leila Danziger, dans sa pratique décolle le papier du papier. Elle parvient à enlever de la surfasse de feuilles de papier journal les mots écrit en laissant le papier néanmoins « intact », entendons sans déchirure après l’opération. Et l’on voit pourtant la trace des mots devenus illisibles, et l’on voit aussi une image laissée, elle, telle quelle, et l’on peut lire aussi tamponnés en rouge, chaque mot étant relié au précédente par un tiret, quelques mots empruntés à Paul Celan, en portugais et que l’on traduit en français ainsi : tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien. Pendus ou accrochés ces pages défient le sens ou plutôt nous renvoie à ce qui à la fois dans les médias et en chacun de nous constitue la fabrique du sens : un jeu incontrôlable, quoique nous en ayons, entre les deux aspects du même geste. Car inscrire, c’est recouvrir, et tracer c’est déchirer, mais recouvrir c’est aussi effacer. La dualité ne se trouve pas seulement dans la structure de notre corps, elle hante la machine secrète de la production du sens et nous en fait les otages autant que les auteurs. » (Jean-Louis Poitevin, Image/texte, un paradigme)</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_68185127dccd4eb2898ae5feadd475e5.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e645d29af592409b9a1b940015126bcc.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7d1581fb6d434f3d89a9db687507e605.jpg"/><div><a href="http://www.topographiedelart.fr/imagetexte4.html">Topographie de l'art</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>IMAGETEXTE4 | Espace Topographie de l'art, Paris [du 16 fév au 27 avril 2016]</title><description><![CDATA[« Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien », 2015.Impression jet d’encre sur papier coton monté sur aluminium, 57 x 40 cm. http://www.topographiedelart.fr/ TENIR DEBOUT, dans l’ombre du stigmate des blessures en l’air. Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien. Non reconnu, pour toi seul. Avec tout ce qui a ici de l’espace, et même sans parole. Paul Celan (1) Tout au long d’une décennie, mon travail a consisté à effacer des pages de quotidiens imprimés, poursuivant les images ou les mots résistant<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7e7600f5065a4addaa3a58fd435c1bf2.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/16/IMAGETEXTE4-Espace-Topographie-de-lart-Paris</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/16/IMAGETEXTE4-Espace-Topographie-de-lart-Paris</guid><pubDate>Tue, 16 Feb 2016 17:33:06 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7e7600f5065a4addaa3a58fd435c1bf2.jpg"/><div>« Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien », 2015.Impression jet d’encre sur papier coton monté sur aluminium, 57 x 40 cm. </div><div><a href="http://www.topographiedelart.fr/">http://www.topographiedelart.fr/</a></div><div>TENIR DEBOUT, dans l’ombre</div><div>du stigmate des blessures en l’air.</div><div>Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien.</div><div>Non reconnu,</div><div>pour toi</div><div>seul.</div><div>Avec tout ce qui a ici de l’espace,</div><div>et même sans</div><div>parole.</div><div>Paul Celan (1)</div><div>Tout au long d’une décennie, mon travail a consisté à effacer des pages de quotidiens imprimés, poursuivant les images ou les mots résistant au langage purement informatif. Le vecteur du travail était la page du journal détournée de sa fonction de document, mais où le texte journalistique se faisait toujours présent de façon résiduelle. L'intégrité physique de la page était sauvegardée, mais ce qu’il en restait, c’était une peau mince et transparente, un matériau aussi fragile que mondain, très sensible à l'action de la lumière, surtout sous le soleil des tropiques. Sur ces pages effacées, je tamponnais deux variations de la traduction brésilienne (2) d’un extrait de Paul Celan - Für-niemand-und-nichts-Stehen / Tenir-debout-pour-personne-et-pour-rien - comme l’a traduit Jean-Pierre Lefebvre. Ce vers m’accompagne comme un lien qui unit les images d’abandon et de délaissement profond, mais aussi celles de résistance. Dans une lettre à sa femme, Gisèle Celan-Lestrange, Celan a présenté trois interprétations possibles du verbe Stehen présent dans son poème: Je refuse/ J’assume/ Je résiste. Modestement, j’aimerais que ces images, comprises comme des épaves, comme des ruines de l’information, soient également capables de « performer » ces verbes-là.</div><div>Leïla Danziger</div><div>Rio de Janeiro, décembre 2015.</div><div>1/ Le poème Stehen a été publié dans le recueil «Atemwende » (Suhrkamp, 1967) traduit par Jean-Pierre Lefevbre (Renverse du souffle, Seuil, 2003).</div><div>2/ Les traductions en portugais (du Brésil) utilisées dans la série sont: « Para-ninguém-e-nada-estar» (Cláudia Cavalcanti) e « Resistir-para-ninguém-e-nada » (Raquel Abi-Sâmara).</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_e9cdc53cdb8f49a9ab61c3d71571d869.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>LEILA DANZIGER AND EUGENIA BEKERIS: A DIPTYCH ABOUT THE NEW ART OF MEMORY</title><description><![CDATA[Leila Danziger. Pallaksch Pallaksch, 2010. Museu de Arte Contemporânea, Niterói, Brasil. Abstract The article presents the works of two artists involved with the connection between art and memory. Both come from Latin America: one from Brazil, Leila Danziger, the other from Argentina, Eugenia Bekeris. Both have developed particular and original poetics. Both have received the memory of Shoah, Holocaust, as a terrible heritage. In their work, we can see images and words coming together to create<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_443c6f723e75428ea2bd1c0ad248724a.jpg"/>]]></description><dc:creator>Márcio Selligman-Silva</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/14/LEILA-DANZIGER-AND-EUGENIA-BEKERIS-A-DIPTYCH-ABOUT-THE-NEW-ART-OF-MEMORY</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/14/LEILA-DANZIGER-AND-EUGENIA-BEKERIS-A-DIPTYCH-ABOUT-THE-NEW-ART-OF-MEMORY</guid><pubDate>Mon, 15 Feb 2016 23:52:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_443c6f723e75428ea2bd1c0ad248724a.jpg"/><div>Leila Danziger. Pallaksch Pallaksch, 2010. Museu de Arte Contemporânea, Niterói, Brasil.</div><div>Abstract</div><div>The article presents the works of two artists involved with the connection between art and memory. Both come from Latin America: one from Brazil, Leila Danziger, the other from Argentina, Eugenia Bekeris. Both have developed particular and original poetics. Both have received the memory of Shoah, Holocaust, as a terrible heritage. In their work, we can see images and words coming together to create a powerful and at the same time delicate art of memory. With their works we are able to both, see from a closer spot the ruinous landscape of the 20th century, and rethink our own present from a more critical point of view.</div><div>Key words: Art of Memory from Evil; Video Art; Shoah Memory; Argentine Dictatorship</div><div>Resumo</div><div>O artigo apresenta a obra de duas artistas da memória, ambas da América Latina, uma brasileira, Leila Danziger, outra argentina, Eugenia Bekeris. Cada uma delas tem uma poética própria e muito original. Ambas têm como herança a terrível memória da Shoah, o holocausto. Nas duas artistas, vemos imagens e palavras se juntarem em uma arte da memória poderosa e ao mesmo tempo delicada. Com suas obras, podemos tanto olhar de mais perto a paisagem em ruínas do século XX, como também repensar nosso próprio presente de modo mais crítico.</div><div>Palavras-Chave: Arte da Memória do Mal; Videoarte; Memória da Shoah; Ditadura Argentina</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>FRAKTUR [INDEX] Les sources au travail | Spoliations d’œuvres d’art par les nazis</title><description><![CDATA[L.Danziger. Hebrew Lesson, 2011 Dans un coin du Buchstabenmuseum – le musée de la lettre à Berlin – on rencontre deux exemplaires de la typographie « Fraktur » : un “S” et un “O” ôtés de l’enseigne d’une piscine municipale. Ces grandes lettres en fer, sombres de rouille, tombent en ruines et, en effet, c’est cela la « Fraktur », une typographie ruinée, traversée par des querelles, chargée de contradictions et d’idéologie – une épave du nationalisme allemand.Créée à partir de transformations de «<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c764b25b51244fd08eaccf35ab2bd4bd.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/15/FRAKTUR-INDEX-Les-sources-au-travail-Spoliations-d%E2%80%99%C5%93uvres-d%E2%80%99art-par-les-nazis-Journal-de-lUniversit%C3%A9-d%C3%A9t%C3%A9-de-la-Biblioth%C3%A8que-Kandinsky-Mus%C3%A9e-national-dart-moderneCCI-Centre-Pompidou</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/15/FRAKTUR-INDEX-Les-sources-au-travail-Spoliations-d%E2%80%99%C5%93uvres-d%E2%80%99art-par-les-nazis-Journal-de-lUniversit%C3%A9-d%C3%A9t%C3%A9-de-la-Biblioth%C3%A8que-Kandinsky-Mus%C3%A9e-national-dart-moderneCCI-Centre-Pompidou</guid><pubDate>Mon, 15 Feb 2016 06:04:55 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c764b25b51244fd08eaccf35ab2bd4bd.jpg"/><div> L.Danziger. Hebrew Lesson, 2011 </div><div>Dans un coin du Buchstabenmuseum – le musée de la lettre à Berlin – on rencontre deux exemplaires de la typographie « Fraktur » : un “S” et un “O” ôtés de l’enseigne d’une piscine municipale. Ces grandes lettres en fer, sombres de rouille, tombent en ruines et, en effet, c’est cela la « Fraktur », une typographie ruinée, traversée par des querelles, chargée de contradictions et d’idéologie – une épave du nationalisme allemand.</div><div>Créée à partir de transformations de « l’écriture gothique » née au XVIe siècle, la « Fraktur » a joué, au siècle dernier, un rôle décisif au sein du plus ambitieux projet de destruction perpétré en Europe. Différentes variations de cette typographie ont été utilisées sur les affiches et documents publics nazis qui avaient pour but d’informer la population allemande qu’une partie de ses citoyens serait désormais exclue du Reich.</div><div>Si la « Fraktur » a été utilisée pour annoncer au monde l’ignominie des desseins raciaux de Nuremberg, si on la voit par exemple sur la couverture du rapport « Stroop » qui atteste de l’anéantissement du ghetto de Varsovie, parmi tant d’autres documents, elle est également indissociable de l’expérience sensorielle de la lecture des classiques faite par plusieurs générations d’allemands et de juifs allemands. On retrouve la « Fraktur » et ses variations dans les œuvres de Goethe, Schiller, Lessing, Heine, et de nombreux autres auteurs classiques, imprimés par les maisons d’édition allemandes au XIXe et dans les premières décennies du XXe siècle.</div><div>J’ai reçu en héritage une bibliothèque garnie de ces classiques et je m’interroge sur sa destinée, ici, à Rio de Janeiro. L’écriture qui leur donne forme semble en processus d’effacement par elle même. Donc j’écoute son dessein et je l’efface. J’ouvre ces livres. J’expose cette bibliothèque-ruine. J’accentue aussi le fait que toute cette littérature a pris ses distances de « l’écriture gothique » – la typographie nationaliste et « traversée des ténèbres ». Il est vrai que la typographie « Antiqua » a toujours disputé l’hégémonie avec la « Fraktur », définitivement tombée en obsolescence après la guerre. Mais les idéologies qui plombent cette graphie ont-elles disparu ? On sait bien que toute écriture implique un corps, un investissement de désir, une discipline corporelle. (...)</div><div>L.Danziger</div><div>In: Les sources au travail | Spoliations d’œuvres d’art par les nazis, &quot;Journal de l'Université d'été de la Bibliothèque Kandinsky&quot;. Musée national d'art moderne/CCI, Centre Pompidou. [comité éditorial: Didier Schulman, Mica Ghergescu, Johanna Linsler, Arno Gisinger]</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_2c272a78987b4a908f13fa2cbe6c4d88.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>BILDUNG [INDEX] Les sources au travail | Spoliations d’œuvres d’art par les nazis.</title><description><![CDATA[L. Danziger, Bildung, 2014Sur la page de garde, la signature manuscrite du propriétaire a été rayée. Au‑dessous, on peut lire une nouvelle signature, un nouveau nom. Les deux signatures exhibent la même écriture cursive Sütterlin, répandue en Allemagne dans les années 1920. Je rencontre les mêmes noms rayés et réécrits sur les douze tomes des œuvres complètes de Heinrich Heine, imprimés par la maison d’édition Max Hesses, de Leipzig, en 1910. En les regardant, je m’interroge sur leur long<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c26f05eabe77407e9fbb0e39d77c8b4f.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/15/Bildung-index-Les-sources-au-travail-Spoliations-d%E2%80%99%C5%93uvres-d%E2%80%99art-par-les-nazis-Journal-de-lUniversit%C3%A9-d%C3%A9t%C3%A9-de-la-Biblioth%C3%A8que-Kandinsky-Mus%C3%A9e-national-dart-moderneCCI-Centre-Pompidou</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/02/15/Bildung-index-Les-sources-au-travail-Spoliations-d%E2%80%99%C5%93uvres-d%E2%80%99art-par-les-nazis-Journal-de-lUniversit%C3%A9-d%C3%A9t%C3%A9-de-la-Biblioth%C3%A8que-Kandinsky-Mus%C3%A9e-national-dart-moderneCCI-Centre-Pompidou</guid><pubDate>Mon, 15 Feb 2016 05:51:32 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_c26f05eabe77407e9fbb0e39d77c8b4f.jpg"/><div>L. Danziger, Bildung, 2014</div><div>Sur la page de garde, la signature manuscrite du propriétaire a été rayée. Au‑dessous, on peut lire une nouvelle signature, un nouveau nom. Les deux signatures exhibent la même écriture cursive Sütterlin, répandue en Allemagne dans les années 1920. Je rencontre les mêmes noms rayés et réécrits sur les douze tomes des œuvres complètes de Heinrich Heine, imprimés par la maison d’édition Max Hesses, de Leipzig, en 1910. En les regardant, je m’interroge sur leur long parcours de plus d’un siècle jusque chez moi, à Rio de Janeiro. Devant ces livres, je pense à la bibliothèque de Walter Benjamin, dispersée à jamais, et à ses réflexions sur l’acte de collectionner dont la passion « confine au chaos des souvenirs », comme il l’a écrit dans son célèbre « Je déballe ma bibliothèque ».</div><div>J’ai hérité du Livre des chants de Heine, parmi d’autres classiques allemands, apportés de Berlin par mes grands parents qui sont arrivés au Brésil en décembre 1935, fuyant l’Allemagne nazie. Ce sont des livres qui ont vieilli sur les étagères les plus hautes de la bibliothèque, intacts, refermés sur eux-mêmes, jamais exposés à la lumière des tropiques. Mais les douze tomes de Heinrich Heine avec le nom de leur propriétaire rayé ont une autre origine. Ils ont été achetés par le biais d’un antiquaire allemand en ligne, acquisition encouragée par le projet de collectionner les livres de Heine imprimés en Allemagne avant la montée du nazisme au pouvoir. Parmi les millions de livres saisis par les nazis, aucun livre de Heine n’a pu être restitué à son propriétaire, ses livres ayant été systématiquement détruits. Cela a été rapporté par Martine Poulain, dans son émouvant « Livres pillés, lectures surveillées », où elle explique que le dépouillement des milliers de listes établies par les propriétaires de « bibliothèques spoliées permettrait de faire, par les creux, par les absences, une liste des haines de lecture des nazis, et des écrivains, dont ils voulaient détruire jusqu’au souvenir. [1] » C’était bien le cas de Heinrich Heine.</div><div>Je crois que les bibliothèques des familles juives – garnies des classiques de la littérature allemande et européenne – constituent une espèce de monument à la Bildung, ce « concept clé de la conscience de soi bourgeoise », comme l’a bien décrit Aleida Assmann. Si l’on suit l’histoire complexe de la Bildung allemande, on s’aperçoit que sa conception originelle a été complètement dévoyée, menant à une perversion de ses idéaux qui avaient signifié, pour les juifs, une invitation à l’émancipation, un principe intégrateur. En lisant les listes interminables avec les noms des propriétaires de bibliothèques spoliées, je me souviens d’une scène décrite par Assmann, où l’auteure raconte le suicide d’une juive allemande de quatre-vingts ans qui reçut son ordre de déportation. « Elle n’eut pas à y obéir, son petit-fils (…) ayant pu lui procurer la dose de véronal nécessaire. Il fut le témoin de ses dernières heures, qu’elle passa en compagnie des classiques. Il se souvient d’une quantité impressionnante de poésie récitée par cœur, dont le monologue de Thekla dans Wallenstein. Elle partit sur ces vers, qui furent son dernier guide vers sa mort volontaire. Ces juifs semblent avoir vraiment été (…) les derniers gardiens de l’idée allemande originelle de Bildung. [2]»</div><div>[L.Danziger]</div><div>In: Les sources au travail | Spoliations d’œuvres d’art par les nazis, <a href="https://www.centrepompidou.fr/cpv/ressource.action?param.idSource=FR_DO-4cf5a4b0c6c5a257fd8478837382e1b&amp;param.refStatus=nsr">&quot;Journal de l'Université d'été de la Bibliothèque Kandinsky&quot;</a>. Musée national d'art moderne/CCI, Centre Pompidou. [comité éditorial: Didier Schulman, Mica Ghergescu, Johanna Linsler, Arno Gisinger]</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_2c272a78987b4a908f13fa2cbe6c4d88.jpg"/><div>POULAIN, Martine. « Livres pillés, lectures surveillées », Paris: Gallimard, 2013, p. 70.</div><div>ASSMANN, Aleida. « Construction de la mémoire nationale : Une brève histoire de l’idée allemande de Bildung », Paris : Éditions de la Maison des Sciences de l’homme, 1994, p. 83.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Saudades de um punhal [para Carol D'Utra Vaz]</title><description><![CDATA[Deixou-se escorregar pela parede (as costas bem protegidas e os pés sólidos). Prosseguia em movimentos milimétricos exatos exaustos crepusculares como se tarde demais além da validade dos desejos [lá onde a redenção não alcança?] Em novembro de 2008, dei início a um blog – esparso, lento, ocasional. Via-o como uma extensão pública do ateliê. Pensava-o sem leitores, a não ser por uma amiga francesa, tão querida quanto distante, que vivia na Nova Caledônia. Agradava-me a ideia de que meus textos e<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_791bf5c8e1934dae97da348bac0ede77.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/12/08/Saudades-de-um-punhal-para-Carol-DUtra-Vaz</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/12/08/Saudades-de-um-punhal-para-Carol-DUtra-Vaz</guid><pubDate>Tue, 08 Dec 2015 01:44:46 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_791bf5c8e1934dae97da348bac0ede77.jpg"/><div> Deixou-se escorregar pela parede (as costas bem protegidas e os pés sólidos). Prosseguia em movimentos milimétricos exatos exaustos crepusculares como se tarde demais além da validade dos desejos [lá onde a redenção não alcança?] Em novembro de 2008, dei início a um blog – esparso, lento, ocasional. Via-o como uma extensão pública do ateliê. Pensava-o sem leitores, a não ser por uma amiga francesa, tão querida quanto distante, que vivia na Nova Caledônia. Agradava-me a ideia de que meus textos e imagens vagassem solitários pelo espaço virtual repleto de ruínas de tantos blogs desatualizados, um universo já cheio de escombros. Em abril de 2009, encontrei um comentário de uma desconhecida sobre um texto que eu havia publicado sobre meu pai. Dias depois, retornou. Deixou outros dois comentários. Conversamos sobre Celan, Amichai, barcos em mares que não existem, xales de oração, vestidos que se animam com o vento, djellabas. Brinquei que assim talvez passasse a levar meu suposto blog a sério. Dia sim, dia não, passei a visitá-la também e ver o que escrevia em Saudades de um punhal, seu blog mantido com regularidade, cujo título fazia alusão a um fragmento de Robert Walser.</div><div>Certo dia, ao acessar seu blog, não encontrei nenhuma nova postagem, mas um comentário trazia a notícia de sua morte, ocorrida em São Paulo, em uma madrugada fria de sábado, 30 de maio de 2009. Não sei mais o que se passava no mundo naquele dia, mas em minha agenda, encontrei a anotação: “abrir avenidas pela casa”. Penso ainda nesse encontro cuja duração foi a de um fósforo que se acende e se apaga. Nos esbarramos em uma calçada, enquanto seguíamos em direções opostas na multidão. Ela deixou cair um objeto. Eu o recolhi, quero devolvê-lo, ainda corro em sua direção, tento localizar seu vulto de costas (é sempre de costas que ela se mostra em seu perfil on line). Procuro decifrar a fricção desse encontro feito apenas de escrita, reter o objeto deixado para trás. Reli inúmeras vezes sua última postagem que descreve um percurso de alguém arduamente treinado em inconstâncias, uma fuga-em-abismo por entre estações de metrô e linhas de ônibus, cujo ponto de chegada era o link para um outro blog. Entre outras características, ela se identificava como “chronically melancholic, great cook, obsessed with psychoanalysis and detective novels, lazy in the mornings and sarcastic at nights”. Tinha pouco mais de trinta anos. Nunca soube o motivo de sua morte. No penúltimo dia de maio, costuma ser lembrada à rua Dinamarca, número 32, Jardim Europa, São Paulo. Neste livro, apenas recolho e edito: as vozes, os escombros, a noite. É uma homenagem, em estado de espera, ao blog desaparecido, à escrita tão aberta aos encontros de Carol D’Utra Vaz.</div><div>Leila Danziger</div><div>Rio de Janeiro, maio de 2014. Coleção Orelhas Contemporâneas Portela, Marco Antonio (organizador) Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2015.</div><div><a href="http://editoracircuito.com.br/website/saudades-de-um-punhal-leila-danziger/">http://editoracircuito.com.br/website/saudades-de-um-punhal-leila-danziger/</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>La table au noir | Yves Carreau | Une mise en atelier</title><description><![CDATA["Il arrivait en claquant la porte derrière lui, et dans ce geste le monde – un certain monde – s’éloignait. Mais est-ce qu’on se sépare du dehors si on est dedans ? Je sais que son atelier était aussi le chemin arpenté entre les deux lieux où il a vécu presque la moitié de sa vie : son atelier personnel et celui où se déroulait sa pratique de la transmission de l’expérience de l’art. La répétition du chemin, chaque jour de cela, chaque jour. Le rituel est aussi une mis-en-atelier." L.Danziger<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_6d731bddde5242a7a11e91ae36bb3eb4.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/12/03/La-table-au-noir-Yves-Carreau</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/12/03/La-table-au-noir-Yves-Carreau</guid><pubDate>Thu, 03 Dec 2015 00:11:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_6d731bddde5242a7a11e91ae36bb3eb4.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_78ae6273c4f64007bac3bcbc2a1d2692.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_1513d9a752394ac1b856be9a34c504f4.jpg"/><div>&quot;Il arrivait en claquant la porte derrière lui, et dans ce geste le monde – un certain monde – s’éloignait. Mais est-ce qu’on se sépare du dehors si on est dedans ? Je sais que son atelier était aussi le chemin arpenté entre les deux lieux où il a vécu presque la moitié de sa vie : son atelier personnel et celui où se déroulait sa pratique de la transmission de l’expérience de l’art. La répétition du chemin, chaque jour de cela, chaque jour. Le rituel est aussi une mis-en-atelier.&quot; L.Danziger</div><div>In: La table au noir / Yves Carreau</div><div>Ed. La Cage de l'ombre forte</div><div>Conception et graphisme: Joëlle Labiche</div><div>Avec:</div><div>Marguerite Dewandel (texte)</div><div>Sébastien Pons (photographie)</div><div>Claude Mouchard (texte)</div><div>Leïla Danziger (texte).</div><div><a href="http://lacagedelombreforte.com/-Atelier-">http://lacagedelombreforte.com/-l-atelier-</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Monodrama | Kriller71</title><description><![CDATA[Muita alegria em pensar que o leitor da tradução em espanhol de Monodrama, do tão querido Carlito Azevedo, antes de ler versos como "Quem diz luz diz / esse baixar de pálpebras"; ou "Todo anjo é uma galinha terrível", deverá obrigatoriamente, mesmo que por um segundo, olhar a imagem que segue na capa da edição lançada pela editora Kriller71, de Barcelona.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d4541dbcfbca443b8058409bba5dc8d0.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/11/06/Monodrama-Kriller71</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/11/06/Monodrama-Kriller71</guid><pubDate>Fri, 06 Nov 2015 00:13:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Muita alegria em pensar que o leitor da tradução em espanhol de Monodrama, do tão querido Carlito Azevedo, antes de ler versos como &quot;Quem diz luz diz / esse baixar de pálpebras&quot;; ou &quot;Todo anjo é uma galinha terrível&quot;, deverá obrigatoriamente, mesmo que por um segundo, olhar a imagem que segue na capa da edição lançada pela editora <a href="http://kriller71ediciones.com/">Kriller71</a>, de Barcelona.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_d4541dbcfbca443b8058409bba5dc8d0.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>No estúdio verbal de Leila Danziger |
Inside the verbal studio of Leila Danziger</title><description><![CDATA[Resumo O artigo propõe cruzamentos entre a produção poética e a obra plástica da artista contemporânea Leila Danziger, a partir da análise de um pequeno conjunto de poemas, reunidos no livro "Três ensaios de fala" (7Letras, 2012). Observa-se que esse corpus verbal se forja por procedimentos artísticos análogos aos que moldam as suas obras visuais. Trata-se de procedimentos de erosão e de transferência de materiais, que possibilitam atualizar elementos judaicos escavados das camadas]]></description><dc:creator>ROSANA KOHL BINES</dc:creator><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/04/29/No-est%C3%BAdio-verbal-de-Leila-Danziger-Inside-the-verbal-studio-of-Leila-Danziger</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/04/29/No-est%C3%BAdio-verbal-de-Leila-Danziger-Inside-the-verbal-studio-of-Leila-Danziger</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2015 12:55:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Resumo</div><div>O artigo propõe cruzamentos entre a produção poética e a obra plástica da artista contemporânea Leila Danziger, a partir da análise de um pequeno conjunto de poemas, reunidos no livro &quot;Três ensaios de fala&quot; (7Letras, 2012). Observa-se que esse corpus verbal se forja por procedimentos artísticos análogos aos que moldam as suas obras visuais. Trata-se de procedimentos de erosão e de transferência de materiais, que possibilitam atualizar elementos judaicos escavados das camadas da memória.</div><div>Palavras-chave: Leila Danziger, judaísmo, obras poéticas e visuais.</div><div>Abstract</div><div>The essay considers the intersections between the poetic and the plastic works of contemporary artist Leila Danziger, by focusing on a small group of poems compiled in the book &quot;Três ensaios de fala&quot; (7Letras, 2012). We note that this verbal corpus is forged by the same artistic procedures that shape her visual work. These procedures of erosion and transference of materials enable the presence of Jewish elements, carved out of the layers of memory. Keywords: Leila Danziger, Judaism, poetic and visual works.</div><div><a href="http://www.revistas.usp.br/cllh/issue/view/7333">Publicado em Cadernos de Língua e Literatura Hebraica (ISSN: 2317-8051), número 12, abril de 2014.</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Für-niemand-und-nichts-stehen | Bremen</title><description><![CDATA[Inside the City. Artists’ Publications as Art in the Public Space, International Open Air Gallery, Centre for Artists’ Publications, Bremen, Germany.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_96c22724bbc747b391045f4bad523bcd.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/07/11/F%C3%BCrniemandundnichtsstehen-Bremen</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/07/11/F%C3%BCrniemandundnichtsstehen-Bremen</guid><pubDate>Sat, 11 Jul 2015 22:08:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_0bca3cb887394b40a8c5f344841e11e2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_21046f0d2067479c910f9e7d58379817.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_99c9313b517f40548f01761fcd85ccf2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_bb6b3e65c7a44a5ea63ae5e8ce20766f.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_96c22724bbc747b391045f4bad523bcd.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_dd7fc0de39ea44749ddae8e76bf4f74e.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_607d2c4678fb41f6a2723e9517c3b38e.jpg"/><div><a href="http://www.weserburg.de/index.php?id=871&amp;L=0">Inside the City. Artists’ Publications as Art in the Public Space, International Open Air Gallery, Centre for Artists’ Publications, Bremen, Germany.</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Quelques minutes de marches et me voici face au fleuve parisien.Des enfants jouaient dans le bac à sable.Une sorte de qui perd gagne.À cet instant précis une chose - mais laquelle? - aurait dû être tenté qui ne l’a pas été. C’était il y a très longtemps.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7fcd50c91e8447e9961a2dc0151e0f18.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-2</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-2</guid><pubDate>Thu, 09 Jul 2015 23:41:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_7fcd50c91e8447e9961a2dc0151e0f18.jpg"/><div>Quelques minutes de marches et me voici face au fleuve parisien.</div><div>Des enfants jouaient dans le bac à sable.</div><div>Une sorte de qui perd gagne.</div><div>À cet instant précis une chose - mais laquelle? - aurait dû être tenté qui ne l’a pas été. </div><div>C’était il y a très longtemps.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Cette maison où vous habitiez existe-t-elle toujours ? On commence par raconter ce qui a été raconté.J’invente. Je vois.- _ _ _ _ _- Quel est ce corps tout à coup dont je me sens pourvue?<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5e91ec07e95c4600ade2355d2a00f537.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-5</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-5</guid><pubDate>Thu, 25 Jun 2015 23:46:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_5e91ec07e95c4600ade2355d2a00f537.jpg"/><div>Cette maison où vous habitiez existe-t-elle toujours ? </div><div>On commence par raconter ce qui a été raconté.</div><div>J’invente. </div><div>Je vois.</div><div>- _ _ _ _ _</div><div>- Quel est ce corps tout à coup dont je me sens pourvue?</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Les instructions sont claires -C’est ce qu’elle lui dit un soir, avec une belle franchise, un grand sourire.Comment aller plus vite à l’essentiel ?J’étais prêt à entrer dans une phrase sans rien.Bimbeloterie.Pacotille.Camelote.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_bd965c8a3da049098500a79b504df294.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-7</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-7</guid><pubDate>Thu, 25 Jun 2015 20:42:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_bd965c8a3da049098500a79b504df294.jpg"/><div>Les instructions sont claires -</div><div>C’est ce qu’elle lui dit un soir, avec une belle franchise, un grand sourire.</div><div>Comment aller plus vite à l’essentiel ?</div><div>J’étais prêt à entrer dans une phrase sans rien.</div><div>Bimbeloterie.</div><div>Pacotille.</div><div>Camelote.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[C’était comme écrire dans l’attente d’une phrase qui ne venait pas.Je n’ai pas évité l’écueil.Je me souviens de ça sans émotion.Ce que vous faites vous paraît vain ?Le temps passait. Cris des enfants.Toi. Toi seul.Tout cela très clair, très précis, inoubliable.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3032dee75abb4e97aae8b3b0c8e71aac.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-8</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2016/07/15/-8</guid><pubDate>Sun, 14 Jun 2015 23:52:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_3032dee75abb4e97aae8b3b0c8e71aac.jpg"/><div>C’était comme écrire dans l’attente d’une phrase qui ne venait pas.</div><div>Je n’ai pas évité l’écueil.</div><div>Je me souviens de ça sans émotion.</div><div>Ce que vous faites vous paraît vain ?</div><div>Le temps passait. Cris des enfants.</div><div>Toi. Toi seul.</div><div>Tout cela très clair, très précis, inoubliable.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Onze heures étaient sonné depuis 10 minutes.Maintenant il portait au silence même une attention douloureuse.Quelles sont les distances entre les corps ?Il a paru intéressant de décrire tous les filigranes.Je considère que cet aspect des choses n’en est qu’à son balbutiement.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_055c836c7be647a5bd9cdb36ada7b9c8.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/06/03</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/06/03</guid><pubDate>Wed, 03 Jun 2015 23:47:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_055c836c7be647a5bd9cdb36ada7b9c8.jpg"/><div>Onze heures étaient sonné depuis 10 minutes.</div><div>Maintenant il portait au silence même une attention douloureuse.</div><div>Quelles sont les distances entre les corps ?</div><div>Il a paru intéressant de décrire tous les filigranes.</div><div>Je considère que cet aspect des choses n’en est qu’à son balbutiement.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Il faut à présent déplacer le point de vue, le renverser. Tout se recompose, c’est un chantier. Le temps, lui, continua beau. Froid sec, soleil. L’image-souvenir disparut. Voilà donc dressé le tableau de ce bel aujourd’hui.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_02bb14788bba46bc8958a46d7b86cb7b.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/05/23</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/05/23</guid><pubDate>Sat, 23 May 2015 20:16:51 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_02bb14788bba46bc8958a46d7b86cb7b.jpg"/><div>Il faut à présent déplacer le point de vue, le renverser.</div><div>Tout se recompose, c’est un chantier.</div><div>Le temps, lui, continua beau.</div><div>Froid sec, soleil.</div><div>L’image-souvenir disparut.</div><div>Voilà donc dressé le tableau de ce bel aujourd’hui.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>...</title><description><![CDATA[Pour me fabriquer des souvenirs.<img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_a26558d459ed4299926ed48c25e8fb30.jpg"/>]]></description><link>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/05/22</link><guid>https://www.leiladanziger.net/single-post/2015/05/22</guid><pubDate>Fri, 22 May 2015 09:51:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/22d7b6_a26558d459ed4299926ed48c25e8fb30.jpg"/><div> Pour me fabriquer des souvenirs.</div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>